Kill Bill Vol. 2 é a segunda parte que dá o desfecho à sangrenta vingança da Noiva (Uma Thurman) contra seus ex-colegas do antigo grupo de extermínio do qual fazia parte, chamado Esquadrão Assassino de Víboras Mortais, que tentara matá-la no dia do seu ensaio de casamento. Também dirigido por Quentim Tarantino, nesse filme vemos a Noiva seguindo o caminho de sua vingança, atrás dos últimos três nomes de sua lista: Budd (Michael Madsen), Elle Driver (Daryl Hannah) e, o tão esperado, Bill (David Carradine). Sugiro a quem está lendo esta resenha agora, que dê uma passada na resenha do primeiro filme clicando aqui

"Pensavam que eu morri, não é? Mas não morri. Mas não por falta de tentativa, não mesmo. Na verdade, a última bala do Bill me deixou em coma, num maldito coma por quatro anos. Quando eu acordei, me lancei no que os anúncios nos filmes chamam de 'um furor violento de vingança'. Eu me vinguei, com violência, até ficar totalmente satisfeita. Matei muita gente pra conseguir chegar até aqui, mas ainda falta um. O último. Estou dirigindo até ele agora. O único que falta. E quando conseguir chegar aonde quero, eu vou matar o Bill."

Após a cena em que Bill atira na Noiva, a qual descobrimos chamar-se Beatrix Kiddo, ser repassada, a primeira cena inédita nos mostra Kiddo dirigindo enquanto conversa diretamente conosco - telespectadores. A cena em preto e branco e toda a carga emocional em sua fala nos mostra que dali em diante, a coisa muda. Ao invés daquela descarga de violência do primeiro filme, teremos mais reflexão. E então o sexto capítulo começa, já voltando no tempo, para nos mostrar como realmente aconteceu o massacre que levou Kiddo ao coma do primeiro filme, aprofundando-se assim ainda mais no enredo.

"- Quer vir ao casamento?
- Só se puder sentar no lado da noiva.
- Você ficará meio solitário do meu lado.
- Sempre foi meio solitário do seu lado. Mas eu não escolheria nenhum outro lugar."

Eu realmente não sei dizer qual personagem desses filmes é o mais bem estruturado. Bill, que não mostrou a face no primeiro filme, aparece logo no início, com toda sua inteligência e elegância, que me lembram Hannibal Lecter. Os diálogos entre Bill e Budd/Kiddo e qualquer outro personagem, são simplesmente maravilhosos. Sempre disseram que uma imagem vale mais que mil palavras, mas no caso de Bill, eu duvido muito. David Carradine merece palmas por sua interpretação.

Outro que se destaca logo no início é Budd, irmão de Bill. O "leão de chacra num bar de stripers" (está mais pra porco) é o mais ferrado menos realizado de toda a trupe, talvez por exceção apenas de Kiddo, por motivos óbvios. Budd mora em El Paso, em seu pequeno trailer e tem patrões nada agradáveis. Por outro lado, também possui uma certa elegância, sabe jogar com as palavras, o que me parece ser algo de família. Apesar de ser o mais "fracassado", é o único que chega mais perto de matar Kiddo, mas ao invés disto, a enterra viva, o que se pararmos para pensar, é ainda pior.

Até aí, Kiddo se encontra enterrada viva apenas com uma lanterna e um canivete que havia escondido na bota. E então chegamos ao capítulo sete, onde descobrimos como Kiddo se tornou a grande guerreira que é. E pensando bem, retiro o que eu disse sobre não saber qual personagem é o melhor. Com toda a certeza, Pai Mei (Gordon Liu) vence em disparado. Mestre de Kiddo, Bill e Elle, Pai Mei é praticamente invencível. Para mostrar sua grandeza, Bill conta a história dos cinco pontos que explodem o coração, técnica dominada por Pai Mei, a qual ele não ensina a nenhum de seus discípulos. Ou quase nenhum, Bill que o diga, haha.

Com o treinamento cruel de Pai Mei, como é intitulado o capítulo, Kiddo consegue escapar do caixão em uma das cenas mais emocionantes do filme, ao meu ver. A mulher é um monstro. Então, toda descabelada e suja de terra, consegue voltar até o trailer de Budd para terminar o serviço.

Uma das melhores coisas nesse filme, fato que eu esqueci de mencionar na primeira resenha, é o close que temos nos olhos da Noiva a cada vez que ela vê um ex-membro do Esquadrão Assassino de Víboras Mortais. Aquela música de fundo deixando clara a raiva que Kiddo sente por cada um deles é espetacular. Mais uma vez, a trilha sonora de Tarantino arrasa.

E então chegamos à Elle, a única verdadeiramente vadia má, que cuidou de Budd. O irmão de Bill não foi morto por Kiddo, mas sim por uma mamba negra, o que não diferencia muito. A briga entre Kiddo e Elle lembra muito a cena entre Vernita Green e a Noiva no primeiro filme. E, apesar de merecer morrer e arder no inferno, o destino que Elle teve foi ainda mais adequado e assustador.

Com todos os outros mortos, resta apenas Bill e Kiddo o encontra através de Esteban Vihaio, um cafetão que é uma figura paterna de Bill. Mas o que Kiddo não esperava era não só encontrar Bill, mas também B.B. (Perla Haney-Jardine), sua filha e segunda sobrevivente do massacre de Two Pines. Por um momento, pensamos que a vingança será esquecida, mas Kiddo não é tão solúvel assim. Após uma conversa maravilhosa sobre os Superman, Bill então descobre que Beatrix foi a discípula preferida de Pai Mei. Não esperava isso de uma mulher caucasiana e americana, não é Bill? Parece que Kiddo não é apenas inteligente para uma loira.

"A leoa recuperou sua cria e tudo está em paz na selva."

Final perfeito, atores maravilhosos, cenas bem escritas e cheias de diálogos espetaculares, é assim que defino Kill Bill Volume 2. Nota 10!


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