Buenos dias, meus caros leitores. Hoje vim aqui, dar minha singela contribuição, expondo minha crítica sincera acerca de um dos clássicos mais polêmicos de toda nossa Literatura, Lolita, do nosso ilustre Vladimir Nabokov. 



Lo. Li. Ta.



Eu estava louca e com muitas expectativas acerca de Lolita, do Nabokov. Afinal, nunca havia lido nenhum livro que abordasse à tão polêmica pedofilia tão escancaradamente, e principalmente na época em que foi escrito. Nabokov enfrentou algumas “barreiras” para publicar seu livro, mas enfim em 1955, conseguiu publicar sua obra numa editora francesa. Sua obra inicialmente não foi bem recebida. A polêmica e a repercussão cresceram, e finalmente o lançaram nos EUA, em 1958.


"Lolita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha alma, meu pecado. Lo-li-ta: a ponta da língua toca os três pontos consecutivos do palato para encostar, ao três, nos dentes. Lo. Li. Ta."


Enfim, como dizia anteriormente, estava muito curiosa a respeito do universo por vezes sórdido deste livro. Inicialmente, os relatos de Humbert Humbert, um homem de 35 anos, revelam sua natureza ardilosa e que beira a promiscuidade. Ele relata suas aventuras amorosas pela Europa com diversas ninfetinhas que passaram ao longo de sua vida, e deixaram um gostinho adocicado de amor não só em seus lábios, mas em todo seu corpo.




Logo depois, Humbert Humbert, um pseudônimo que ele utiliza durante todo o livro, se vê frente a frente com a travessa Lolita. Dolores Haze é uma garota de 12 anos, deslumbrada pelo cinema e que deseja um dia ser uma atriz. 

A partir daí, sua narrativa se fixa nos acontecimentos que se sucederam ao conhecer Lolita. Posso dizer-lhe que o começo do livro em si, é muito maçante. Mas não o larguei por está muito ansiosa com o que viria.

O interesse por garotinhas deve-se ao fato de seu antigo e nostálgico amor por Anabela, quando era ainda jovem. Porém a mesma veio a falecer de tifo, deixando-o perdido. Depois desse amor, Humbert até chega a casar-se com Valéria, porém logo ele descobre que a mulher o traía, e se divorcia. Acaba indo para os Estados Unidos, e logo após sair de uma casa de saúde, Humbert decide viver na pequena Ramsdale. Lá, na casa de Mrs. Haze, onde fica instalado, que Humbert se vê completamente enfeitiçado por Lolita.


A partir daí, Humbert começa a nutrir uma grande obsessão por Lolita, que maliciosamente, passa a lhe retribuir. O que posso dizer de Lolita? Inicialmente, ao vê-la retribuir, e consequentemente, nutrir os sentimentos quase repulsivos de Humbert, eu me vi literalmente enojada. Porém, a narrativa se estende até um ponto em que você, não pode simplesmente largar o livro e deixar de folhear suas páginas um pouco mais, na busca do que virá.



Nabokov é implacável, muitos o apontavam como um homem de muitas facetas e eu não duvido. Alguns o apontam como pedófilo por promover a pedofilia em sua obra. Foi, e ainda é polêmico no cenário literário. Ganhou o incrível status de ser autor de um clássico.

Lolita é um livro de extremos. Muitos dão uma salva de palmas a esplêndida obra prima que Nabokov criou, e outros a rejeitam. Como disse anteriormente, sua narrativa por vezes maçante, te fisga nas primeiras páginas, e quando você percebe está literalmente devorando todo seu conteúdo. Sua narrativa é cheia de floreios, de rodeios sem fim. Confesso que o livro em si, me ajudou bastante na arte da escrita. Provavelmente Lolita foi o primeiro livro que me ensinou lições neste quesito.

Porém, para ser sincera, tiveram momentos em minha leitura, que desejei nunca mais lançar os olhos nesta obra. Nabokov escreve sem pudor algum, as constantes insinuações de seu protagonista para com Dolores. E não é isso que “revolta” e enoja, é a forma em que tudo é retratado. Humbert descreve que essas ninfetinhas parecem atiçar sua natureza lunática. E deixa em entrelinhas que a culpa por tudo isso vir a acontecer, é resposta dessas garotas que o retribuem. Sim, este é mais um fato que me chocou. A recíproca inocente e por vezes maliciosa de Lolita. Desde o seu encantador caminhar até seu sorriso incandescente, demonstram a natureza atrevida da criança. Em alguns momentos do livro, Humbert descreve o modo como Lolita se comporta por alguns trocados. À medida que vai crescendo, sua personalidade escorregadia se digladia com a quase perversão de Humbert.


Durante sua trajetória com Lolita, Humbert literalmente passeia por todos os Estados Unidos. E o que torna mais marcante em todo o livro, é a forma em que são retratados os diferentes cenários em sua viagem. Tornando todo seu arroubo com Lolita, uma incessante aventura amorosa, daquelas de tirar o fôlego.

E quase no fim, Humbert se vê completamente perdido ao ser abandonado por Lolita. Que vai embora, e passa a viver com outro homem. É quase repugnante ler a quietude quase traumática de Lolita, após Humbert pedir desculpas por ter feito tudo que fez. Porque somente naquele silêncio, dá pra se interpretar todo o trauma que ele a causou.

Ressalto aqui a adaptação de 1997, a qual assisti, desde o começo revela-se uma obra cinematográfica por vezes fiel aos escritos de Nabokov. E talvez por ter visto o filme primeiro, e depois começar a ler o livro, fez com que eu desse diversas pausas no decorrer da leitura. 

Mas no geral, Lolita merece todo o reconhecimento e status que possui. A obra prima de Nabokov relata um amor por vezes estranho, mas que no final, é somente o amor. 

Tirando o sumo desta obra que ainda choca a todos, posso dizer-lhe seguramente, que Lolita aborda o amor em sua forma mais selvagem, em todas suas nuances e formas. Por vezes doentio, inquietante, e perturbador, mas que no final, é somente o amor em sua forma mais ampla. 

Dou as mais sinceras três estrelinhas pra esse clássico, e espero que vocês se aventurem com a devida precaução com esta obra. Porque uma vez emaranhado em suas páginas, você se verá completamente preso no universo deste grande mestre.


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