Buenas noites, meus caros. Vim nesta noite um tanto quanto "sombria", aproveitando o climazinha frio para trazer minha crítica acerca de "O Morro dos Ventos Uivantes".


O amor nunca morre...



Ficha Técnica.:
O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronte.
Editora: Lua de Papel
Páginas: 292.




O Morro dos Ventos Uivantes, um dos maiores clássicos da Literatura Inglesa foi publicado em 1847 por Emily Brontë, sob o pseudônimo de Ellis Bell. Naquela época parecia loucura a possibilidade de uma mulher escrever e publicar seu livro. Até porque existia todo um preconceito e a ideia de que o lugar da mulher era em casa, cuidando dos filhos e da casa, enquanto o homem ia trabalhar e sustentar a casa. Sua irmã, Charlotte Brontë, também escritora, foi a primeira a publicar, Jane Eyre, sob o pseudônimo de Currer Bell, alcançando grande sucesso. Porém, quando O Morro dos Ventos Uivantes foi lançado, muitos não o receberam com boas críticas, por causa da crítica época pelo qual passavam. Posteriormente, o livro foi incluído nos clássicos da Literatura Inglesa. 


Não me recordo de quando li este livro, talvez em meados de 2012, quando a onda da Saga Crepúsculo ainda estava em seu clímax total. Porque a Bella era apaixonada por este clássico em particular, e como gosto de fuçar os clássicos, acabei pegando O Morro para ler. Não me arrependi em nenhum momento de ter optado por folheá-lo. Até hoje lembro-me da aura sombria e assustadora que perpassava todo o romance da mais reclusa das Irmãs Brontë.


Dentre todos os romances que li, O Morro dos Ventos Uivantes foi um dos mais abrasadores, acalentadores e românticos de todos os outros. Certamente, que o livro aborda do amor não correspondido e da vingança, porém a forma como esses temas foram retratados são de inescrupulosidade sem precedentes. O ambiente sombrio e tenebroso só acrescentam uma aura incrível de mistério no ar. Tornando o romance ainda mais viciante.

Eu particularmente sou suspeita para comentar dos clássicos, já que amo quase todos eles. A escrita ricamente trabalhada, o vocabulário puramente vasto e detalhado nos oferece uma gama personalizada dos fatos daquela época. 

Wuthering Heights é uma história intensa e cativante. A maioria da história é contada para nós pela narração curiosa do Sr. Lockwood, e logo depois, pela governanta Nelly.

Meus maiores sofrimentos neste mundo têm sido os sofrimentos de Heathcliff; fui testemunha deles e senti-os todos, desde o começo.
Meu maior cuidado na vida é ele.
Se tudo desaparecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir. E se tudo o mais ficasse, e ele fosse aniquilado, eu ficaria só num mundo estranho, incapaz de ter parte dele. Meu amor por Linton é como folhagem da mata: o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, isso eu sei muito bem.
E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária.





O Sr. Lockwood é o mais novo inquilino da Fazenda Thrush Cross, propriedade de um certo e esquisito Sr. Heathcliff. Assim que se instala na Fazenda, acaba por visitar Heathcliff no Morro dos Ventos Uivantes. 

Assim que entra, percebe uma ligação entre seu senhor, um rapaz e uma moça – que o encanta à primeira vista. Ele logo fica curioso para saber mais sobre eles e termina por entendê-los erroneamente. Esse fato só aumenta sua curiosidade acerca desta família nada normal. Ele convence Nelly a lhe contar a história deles.

E nesse ínterim, a história volta no passado a fim de explicar tanto ao leitor tanto ao curioso Sr. Lockwood porque motivos às pessoas que ali vivem são tão peculiares. O flashback se inicia ao tempo em que Heathcliff era somente um menininho mestiço. O Sr. Earnshaw acabou lhe trazendo, após tê-lo encontrado abandonado na rua, numa de suas viagens pelos cantos afora. O patriarca da família tem um filho, Hindley, e uma filha, Catherine, que possui a mesma idade de Heathcliff. A princípio, ela o repele assim como o irmão, mas depois começa uma amizade apaixonada pelo garoto. Hindley fica furioso por seu pai favorecer Heathcliff em tudo, e passa a alimentar um ódio infinito por ele. Todos os outros membros da casa estranham o garoto, só Catherine que o adora.


Logo após o Sr. Earnshaw vir a falecer, Hindley se volta contra Heathcliff, impedindo sua educação e tornando-o um completo escravo. A partir daí, ele não mede esforços para separar Catherine e Heathcliff, pois abomina a amizade que ambos nutrem. Ele tenta uma aproximação de Catherine com os Lintons, uma rica e respeitada família das redondezas. O filho dos Lintons, Edgar, começa a gostar de Catherine. Consequentemente gerando ciúmes por parte de Heathcliff, porém ele acaba por suportar a barreira que foi imposta a ambos pelo irmão de Catherine.

Um belo dia Edgar pede Catherine em casamento, e ela enfim o aceita. Heathcliff acaba escutando ela confessar para Nelly que escolheu Edgar, somente porque ela achava que Heathcliff não era um cavalheiro e que casar com ele mancharia sua imagem e reputação perante a sociedade da época. Logo após ouvir isso, Heathcliff deixa o Morro, magoado e vai embora.


Catherine fica abalada quando sabe da triste notícia. Ela não consegue suportar a dor. Edgar casa-se com ela para lhe amparar e ajuda-la a suportar a dor. Catherine começa uma vida com Edgar, porém um dia Heathcliff volta, deixando Catherine no meio de um grande dilema. Heathcliff retorna ao Morro dos Ventos Uivantes, como um cavalheiro e agora é tão ou mais desejável que o próprio Edgar.




É nesse momento que o conflito emocional de Catherine se inicia. Ela quer os dois na sua vida. Para conseguir isto, ela acaba por ferir Edgar e a si mesma. Catherine cai numa depressão sem voltas, ela nunca mais se livraria de seu tormento. Com muito sofrimento dá à luz uma filha de Edgar, e morre.




Heathcliff fica arrasado e se retrai ainda mais na obscuridade de seu ser, tornando-se ainda mais vil e triste. Ele se sente como um animal ferido. Declara guerra contra todos que lhe separaram de Catherine. Ele jura vingar-se. Então, tem um caso com a irmã de Edgar, Isabella, e gera um filho com ela.

Todo o resto da história vai nos contar como Heathcliff destrói Hindley, arremata O Morro dos Ventos Uivantes, passando a ser proprietário deste lugar. Ele passa a tratar Hareton, filho de Hindley, da mesma forma como foi tratado anos atrás pelo seu pai. Ele força a filha de Catherine, Cathy, a se casar com seu filho Linton. E então se apodera da propriedade Thrush Cross. 

O romance culmina na morte de Heathcliff e Cathy, filha de Catherine, acaba por casar-se com o jovem Hareton. 

Se eu pudesse dar seis estrelinhas para este clássico, o faria sem pestanejar. O romance sombrio, por vezes tórrido de Emily Brontë, nos mostra o lado brutal de amar e não ser amado. Todos os personagens, principalmente os protagonistas são plenamente vívidos, tanto é que quando você termina de ler este livro, você ainda os sente junto de si. O modo como a vingança e toda a sociedade é retratado nos apresenta os lados corruptos e preconceituosos daquela época. 

Portanto, se estás à procura de um clássico impactante e por vezes assustador, não se acanhe em folhear as belíssimas páginas deste livro. Vá em frente, dê a cara à tapa, conheça o mundo que a grande Emily Brontë nos trouxe.


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