Um Amor Para Recordar é, na minha humilde opinião, o melhor romance de Nicholas Sparks, lançado aqui no Brasil pela editora Novo Conceito. Tenho que admitir que minha curiosidade para ler o livro adveio da minha pequena paixão pela adaptação cinematográfica. Já havia assistido há tempos e tinha essa vontade, imaginando "se esse filme é tão bom, imagine a versão literária? Deve ser uma obra de arte!". E realmente, Um Amor Para Recordar é uma obra de arte, mas um pouco diferente do que eu esperava.

A primeira coisa que tenho a dizer é que o Landon e, prinicpalmente, a Jamie são outras pessoas no livro. Tudo bem, eu posso estar exagerando um pouco, mas é que lendo o livro, o casal de Nicholas Sparks me passou uma impressão diferente do casal do filme. O Landon do livro está mais preocupado em ter uma vida normal e corresponder a todas as expectativas das pessoas ao seu redor ao invés de simplesmente se divertir e ser popular, como o Landon do filme. Já a Jamie, considero ser aquele tipo de personagem impossível de se interpretar. Eu até gosto da Jamie da Mandy Moore, mas não creio que atriz alguma poderia passar 100% toda a inocência e bondade da Jamie do livro, uma garota incapaz de bater a porta na cara de alguém. Apesar de todo esse estereótipo de boazinha e tudo mais, ela não é daquelas protagonistas que são tão "certinhas" a ponto de serem insuportáveis, muito pelo contrário. Como o próprio Landon diz, ninguém consegue odiar a Jamie.

O livro começa com um problema típico dos adolescentes: arrumar uma parceira para o baile. Por decisão de seu pai, super ausente em sua vida, Landon se torna o presidente do grêmio estudantil e por regra, o baile dos ex-alunos requer presença obrigatória de todos os membros. Sem saída, Landon precisa encontrar uma acompanhante há pouco tempo do baile, quando as mais bonitas já foram escolhidas, e como qualquer outro adolescente, não quer ir sozinho e ficar limpando vômitos no banheiro, mesmo que sua acompanhante tenha de ser Jamie Sullivan, a filha do reverendo Hegbert, a garota que é capaz de doar um rim por um estranho que conheceu na rua e que sempre anda com sua Bíblia nas mãos e vestida com um blusão marrom.

Ufa. O enredo do livro é simples e ele flui leve, mesmo com todo o drama e carga emocional que vem aos poucos. O li em cinco horas, meu verdadeiro recorde. Mas mesmo sendo um livro tão leve, é também bastante envolvente. A complexidade de Landon e a forma com que eles se apaixonam - arraste o mouse (pause aqui, pois preciso fazer essa citação que na minha opinião, define o início do relacionamento entre Jamie e Landon: "Me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono, gradativamente e de repente, de uma hora pra outra." - A Culpa é das Estrelas) - nos faz nos identificar bastante com os personagens. 




"Há momentos em que desejo fazer o tempo voltar e apagar toda a tristeza, mas eu tenho a sensação de que, se o fizesse, também apagaria toda a alegria. Assim, revivo as memórias da forma como vêm, aceitando todas elas, deixando que me guiem sempre que possível. Isso acontece com mais frequência do que as pessoas percebem.."



A história é basicamente uma narrativa de um Landon de 57 anos contando sobre suas melhores (e piores) lembranças. É muito fácil pensar como o Landon e entendê-lo, mesmo quando ele grita e se descontrola. Muitas pessoas podem ver esse livro apenas como mais um livro de romance, mas é muito mais do que isso. O romance foi uma influência que mudou drasticamente a vida de Landon e de todos ao seu redor. Através da presença de Jaime e seus exemplos, Landon formou seu caráter e seus ideais, se aproximou de seu pai e aprendeu muito mais sobre a vida e sobre o perdão. 



"Jaime não era somente o anjo que salvou Tom Thornton, ela era o anjo que salvou a todos nós."



Tom Thornton, protagonista da peça teatral que Landon e Jaime participa, é um viúvo que tem de criar sua filha completamente sozinho. Tenho que admitir que a cena da peça no filme é muito linda, mas a peça do livro tem todo um significado especial envolvendo Jaime e seu pai Hegbert, outro ponto maravilhoso, que é a relação de pai e filha verdadeiramente cheia de amor, mas que ao mesmo tempo é tão cruel, pelo fato de Hegbert ser realmente um viúvo que teve de criar a filha sozinho. Claro, a peça também é a ruptura para os pré-conceitos de Landon sobre Jaime, é onde basicamente ele enxerga sua verdadeira beleza, e é a partir desse ponto que ele realmente começa a se mostrar apaixonado.






O modo com que Landon usou seus últimos tempos com Jaime, realizando seu maior desejo, que era se casar, e assim fazendo sua vida o mais próximo de completa e realizada o possível, deu um belo fim à toda história. A cena de Jaime caminhando até Landon no altar resume todo o significado da obra e explica o título em inglês (ao menos para mim, que estava boiando quanto a isso), A Walk to Remember.



"[...] lembro-me de pensar que aquele foi o percurso mais difícil que qualquer pessoa já teve que percorrer. Em todos os sentidos, era um percurso para ser lembrado."




Avaliação: 
☆☆☆


Deixe um comentário