Buenas noites, meus caros. Hoje vim deixar minha impressão sobre: Um Caso Perdido (Hopeless), da prestigiada autora, Colleen Hoover , que escreveu Métrica e Pausa, todos eles publicados aqui no Brasil.




Ficha Técnica.:

Um Caso Perdido (Hopeless) – Colleen Hoover. (2014)
Editora: Galera Record.
Páginas: 387.





Em determinados momentos de nossa vasta experiência com os romances, nos deparamos com livros que nos surpreendem. Um Caso Perdido, de Colleen Hoover, pode ser facilmente taxado de mais um best seller pairando sobre nós, pobres leitores. É conhecido por muitos que os best sellers são comumente e expressamente criticados pelos mais respeitados críticos deste mundo afora.

Até mesmo se você estivesse passeando pelo interior de uma livraria, e divagando sobre qual dos livros ali expostos, merece a sua leitura. Mais uma vez, eu vos digo, Um Caso Perdido, seria olhado de relance por pessoas que já leram um romancezinho água com açúcar. 

Você, caro leitor, pode ser facilmente enganado pela sinopse quase “tolinha” deste livro de que vos apresento. Um Caso Perdido – Hopeless, de Colleen Hoover, conhecida autora que teve seus livros publicados, Métrica e Pausa no Brasil, trazidos pela Editora Record, e que agora nos trouxe, Hopeless, pelo selo juvenil, Galera Record.



A sinopse deste livro nos dá a efêmera impressão de que estamos frente a frente com mais um romance, daqueles bem clichês. Em que a dita protagonista se vê rapidamente apaixonada por um típico bad boy de escola, que lhe lança novos questionamentos acerca de sua vida. Porém, ao decidir folhear este livro, você se vê BASTANTE e terrivelmente enganado. Está certo que a sinopse é bastante comum, mas a narrativa, a ideia central que Colleen Hoover tenta nos passar por meio de suas palavras é totalmente outra. 

Somos apresentados a Sky, que estranhamente cataloga os garotos com quem fica como sabores de sorvete, acompanhada de sua fiel e escudeira amiga, Six. Sabemos mais tarde, que Sky faz isso, porque não consegue se conectar com nenhum de seus parceiros. Motivo? Ela não sabe, e também não tenta saber.



“– Quero fazer amor com você, Sky. E acho que você também quer. Mas primeiro preciso que entenda uma coisa. – Ele aperta minha mão e se curva para beijar mais uma lágrima que escapa dos meus olhos. – Sei que é difícil para você se permitir sentir isso. Passou tanto tempo se treinando para bloquear os sentimentos e as emoções toda vez que alguém encostava em você. Mas quero que saiba que o que seu pai fez com você fisicamente não era a razão do seu sofrimento quando era criança. Foi o que ele fez com sua fé nele que a magoou.
Você passou por uma das piores coisas pelas quais uma criança pode passar, e quem fez isso foi seu herói... a pessoa que idolatrava... não consigo nem imaginar como deve ter sido isso. Mas lembre que as coisas que ele fez com você não têm nada a ver com nós dois quando estamos juntos. Quando toco em você, estou fazendo isso porque quero vê-la feliz. Quando a beijo, faço isso porque tem a boca mais incrível que já vi e não consigo deixar de beijá-la. E quando faço amor com você... estou fazendo exatamente isso. Estou fazendo amor com você porque estou apaixonado.


Até este ponto da história, Sky é forte e preparada. Embora, tenha alguns sonhos confusos, acerca de uma garotinha indefesa e triste. Aí, eu preciso lhes comentar, Colleen Hoover literalmente nos joga no ar com um paraquedas para tentar decifrar esses pesadelos contínuos e confusos que a Sky sempre tem durante toda a narrativa do livro. Confesso que ao me deparar com o primeiro pesadelo narrado, fiquei ligeiramente confusa, e só fui entender muito mais tarde. Aquilo que tinha lido não era uma coisa aleatória, não, óbvio que não. Aqueles pesadelos faziam parte do passado obscuro que fora ocultado da mente de Sky. 

E no meio disso tudo, nós ficamos sabendo que Sky é adotada. Outro fato meramente aleatório, mas que esconde diversos mistérios. Preciso lhes dizer, Um Caso Perdido é puro mistério do começo ao fim. Sua mãe, Karen, amante das plantas e ervas em geral, abomina a tecnologia, e impôs a educação de Sky, tolerância zero a esses “utensílios” eletrônicos. Ou seja, na casa de Sky, não há televisão, computador, e ela não possui um celular. Isso mesmo. Desde pequena Sky é criada desse jeito. Ela é totalmente reclusa diante do mundo da tecnologia. Somente mais tarde, Sky descobre o motivo para toda essa reclusão.

Porém, Karen, abre uma exceção, e deixa Sky passar seu último ano estudando numa escola. Ela pensa em tirar o máximo proveito dessa experiência, embora sua melhor amiga, Six, não vá acompanha-la nesta aventura. Porque estará fazendo um intercâmbio para a Itália. 

Sky se vê sozinha dentro de uma instituição fadada aos grupinhos. Nerds, atletas, populares. Todos estão contra ela, e expressam isso maciçamente durante sua estadia no colégio. Eles deixam explícito nos inúmeros post-its que prendem no seu armário de escola. Mas Sky reage muito bem à reputação suja que possui entre todos eles, e ignora magnificamente toda a torrente de bullying que lhe fazem. Faz amizade com um mórmon gay, Breckin. E assim começa sua vida escolar. 

“Uma das coisas que amo nos livros é que eles conseguem definir e condensar certos momentos da vida de um personagem em capítulos. É intrigante, pois na vida real é impossível fazer isso. Não dá para terminar um capítulo, pular as coisas pelas quais a pessoa não quer passar e simplesmente começar um capítulo que melhor se encaixa com sua vontade. A vida não pode ser dividida em capítulos... só em minutos. Os acontecimentos da vida de uma pessoa estão todos aglomerados um minuto após outro, sem nenhum intervalo de tempo, páginas em branco ou pausas de capítulo, porque não importa o que aconteça, a vida simplesmente continua, segue em frente, as palavras são ditas, e as verdades sempre surgem, quer você queira ou não, e a vida nunca deixa você fazer uma pausa apenas para recuperar a porra do fôlego.”



Porém, um belo dia, Sky conhece Dean Holder, conhecido por inúmeros delitos. Um garoto que facilmente rivalizar com sua reputação nebulosa. Sky logo percebe através de seus olhos, de sua estranha tatuagem com os dizeres: “Hopeless”, uma estranha ironia.
Porque pelo que podia ver, Holder era um completo caso perdido. Batera num homossexual e sumira do mapa, deixou de ir à escola. Holder é o típico cara galante, mas que todos das redondezas sabem que ele não presta nem um pouco. 

Aquele ditado tão conhecido e taxado pode ser facilmente colocado entre Holder e Sky. As aparências enganam. Sim, elas nos enganam bastante neste livro. Conjecturamos que Sky é uma daquelas piriguetes, e que por isso sai catalogando os caras com quem fica como sabores de sorvete. E pensamos assim que vimos Holder, que o garoto é um daqueles fatídicos bad boys que nunca encontraram sua cara metade até conhecer a apagadinha da Sky. 

Porém, assim que esses dois se encontram, e acontece toda aquela coisa, da Sky se afastar dele, por saber antecipadamente da má conduta de Holder. Mas, eles logo se aproximam novamente, desta vez para não mais se verem longe um do outro. 

“– É tudo de que precisa? – diz ele espirituosamente. – Tem certeza, Sky? – A voz dele está calma e sedutora, e, se eu estivesse em pé, com certeza minha calcinha estaria no chão. 

Balanço a cabeça, e meu sorriso desaparece. 

- E você – sussurro. – Preciso do abajur, do cinzeiro, da raquete, do controle remoto... e de você. É tudo de que preciso.”


O romance desses dois foi um dos mais bagunçados, complicados e engraçados de que já testemunhei nos livros. A autora parece querer brincar constantemente com os clichês, porque ela os coloca, mas os desconfigura, e dá uma nova magia a eles. 

“A maneira como me olha me faz sentir... tento procurar um adjetivo para completar esse pensamento, mas não encontro nenhum.
Ele simplesmente me faz sentir. É o único garoto que já se importou se eu estava ou não sentindo alguma coisa, e, só por isso, deixo ele roubar mais um pedacinho do meu coração. Mas não parece o bastante, pois de repente quero dar meu coração inteiro pra ele.”













Holder traz uma crescente confusão à vida quase pacata de Sky. Seus constantes pesadelos que lhe deixam muito confusa digladiam-se com um dos momentos chaves da história.
Porque após ver-se frente a frente com Holder na sua cama, pronta para transar com ele, Sky percebe a crescente desmaterialização de seu corpo e de seus sentimentos, passa a conta-las infinitamente as estrelas imaginárias de seu teto. Sem saber que fazia isso para anestesiar seu corpo e sua mente do pai doentio que tivera. 

“Não quero ser chamada de Hope, de Sky ou de princesa nem de nada que me separe de qualquer outra parte de mim mesma. De repente me sinto como se fosse pessoas completamente diferentes aglomeradas numa só. Alguém que não sabe quem é nem onde é seu lugar, e isso é perturbador. Nunca me senti tão isolada na vida; como se não houvesse uma única pessoa no mundo inteiro em que pudesse confiar. Nem eu mesma. Não posso confiar nem nas minhas próprias lembranças.”


Logo Sky descobre o motivo do comportamento lunático de Holder para com ela. E este motivo só irá afirmar ou anular o amor que ambos sentem um pelo outro. Um amor sendo testado. E a confiança de Sky neste completo caso perdido. 

“– Na noite em que descobri que era Hope? Disse que queria ficar sozinha no meu quarto e, quando acordei e vi que você estava lá comigo na cama, tive vontade de chorar, Holder.
Queria chorar porque precisava tanto de você ali. Foi naquele momento que percebi que estava apaixonada por você. Estava apaixonada pela maneira como você me amava. Quando pôs os braços ao meu redor e me abraçou, soube que, independentemente do que acontecesse com minha vida, meu lar era você. Você roubou a maior parte do meu coração naquela noite. 

Abaixo a boca até a dele e beijo-o delicadamente. Ele fecha os olhos e começa a encostar a cabeça na cama outra vez. 

- Fique de olhos abertos - sussurro, afastando-me dos lábios dele. – Ele os abre, olhando-me com uma intensidade que bate direto no centro do meu ser. - Quero que fique de olhos abertos... porque preciso que veja eu lhe entregar a última parte do meu coração.”


Terminei eufórica a leitura deste livro, Um Caso Perdido – Hopeless é um romance incrivelmente cercado de mistérios. Sua narrativa leve fluiu como água para mim. Não é a toa que acabei por deixar centenas de post-its colados em diversas passagens que para mim foram marcantes. Colleen Hoover mais uma vez me fisgou. Já havia lido Métrica, Pausa, e o ainda não publicado no Brasil, This Girl.
Esta autora tem a fama de me deixar sem fôlego e sem palavras. Não poderia deixar de dar minhas mais eufóricas cinco estrelas a este romance. Porque mais uma vez, Colleen Hoover, conseguiu surpreender com uma história que tinha tudo pra ser clichê, mas que foi ricamente trabalhada, e que merece uma grandíssima salva de palmas. 

“Karen me abraça mais do que já fui abraçada em um único dia. Depois do seu abraço final da noite, vou para o meu quarto e me deito. Puxo as cobertas e ponho as mãos por trás da cabeça, encarando as estrelas do meu teto. Pensei em arrancá-las de lá, achando que só serviriam para me lembrar de mais coisas ruins. Mas acabei não tirando. 
Vou deixa-las porque agora, quando olho para elas, me lembro de Hope. Eu me lembro de mim e de tudo que precisei superar para chegar a esse momento da minha vida. E, por mais que eu pudesse ficar aqui sentada, sentindo pena de mim mesma... não vou fazer isso. Não vou ficar desejando uma vida perfeita. As coisas que nos derrubam na vida são testes, e esses testes nos forçam a escolher entre desistir, ficar caída no chão ou sacudir a poeira e se levantar com ainda mais firmeza que antes. Estou escolhendo me levantar com mais firmeza. Provavelmente vou ser derrubada mais algumas vezes antes da vida se cansar de mim, mas garanto que nunca vou ficar caída no chão.” 

Espero ansiosamente pela continuação deste livro, Losing Hope, versão narrada por Holder, para descobrir ainda mais coisas!


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