Bom dia, boa tarde, e boa noite, para você, caro leitor, que está lendo minha primeira resenha neste blog. Deixe-me apresentar, sou Isabela Lima, mais conhecida como Lady Isa. Vim aqui dar minha singela contribuição ao blog, após o convite nada normal da caríssima Mendes. Nada como um livro mega fofo, como Will & Will, para começar minha jornada por aqui. 



Tentativas-Erros-Tentativas.





Sabe aquele livro que você não consegue parar de ler por nada nesse mundo? Sabe aquela narrativa que te envolve a cada virada de página? Sabe aquele enredo que te enlouquece a cada novo capítulo? Sabe aquela escrita que revela tantos tabus pré-estabelecidos e impostos pela sociedade?



Tudo isso e muito mais Will & Will consegue passar para nós, ao menos na minha humilde e modesta opinião de leitora. Eu me apaixonei por cada personagem, me irritei com os dois Will Grayson, por serem tão fodidamente – me perdoem pela palavra de baixo calão, mas não vi como me expressar mais entusiasticamente, presos literalmente dentro de uma caixa. Me apaixonei pelo Tiny Cooper, O Fabuloso, por ele ser tão apaixonante e tão apaixonável, por ver que o importante não é amar e ser correspondido, mas sim amar e ser desafiado constantemente pelo destino.

Não tenho como expressar o quanto gostei do Will Grayson de David Levithan, sua escrita um tanto quanto peculiar – todos seus capítulos eram escritos com letras minúsculas e bem espaçados, me deixou impressionada. Confesso que demorei umas duas paginas pra me adaptar ao modo em que escrevia, mas me entreguei de corpo e alma quando fui captando e entendendo o Will Grayson mais problemático de todos os outros. Ele me fez rir à beça, mas também me entristeceu muito. Seus comprimidos tarja preta não conseguiram surtir efeito em mim, porque a cada página eu conseguia enxergar um pouco do interior dele, e ao mesmo tempo não. Will Grayson se fecha tanto para o mundo, e ignora todos a sua volta pelo simples fato de não aceitar as tentativas-erros-tentativas. Seu pessimismo o aprisiona e congela nessa posição angustiante. Eu nunca tive tanta vontade de “entrar no livro” e ser uma psicóloga para ele – uma psicóloga que com certeza não teria que ser paga por sua mãe. Ah, a mãe de Will é tão ou mais sofredora que o próprio Will. Vi tanta tristeza, mas tanta superação nos olhos de Annie. Vi que apesar de tantos obstáculos e tantas quedas durante o percurso de sua vida, ela foi capaz de seguir em frente e saber compreender o modo agressivo com que Will a tratava.

Foi a primeira vez que conhecia a escrita corajosa e pessimista de David Levithan, e digo aqui: nunca vi tamanha complexidade, tamanha problemática acerca de seu personagem criado. Nunca senti uma insanidade pungente em tentar melhorar as coisas para um personagem literário. E é por isso que torna tudo mais emocionante, Levithan torna seu personagem real, torna Will humano, torna Will Grayson e todos a sua volta personagens da vida real. Com certeza existem muitos “Will” espalhados por esse mundo, perambulando atrás de um acerto no meio de tantas tentativas-erros-tentativas.

John Green, o que posso falar dele? Este é o quarto livro que leio dele. Sua escrita é mais solta neste livro, a comédia tem lugar especial e protagonista nas páginas de “Will & Will”. Embora, eu tenha sorrido mais com o Will Grayson de Levithan, achei no o.w.g uma inquietante irritação. Uma constante e irritante irritação que só sanou quando o.w.g saiu da caixa, e enfim fez um acerto em sua vida. O que eu posso dizer dos personagens secundários tão bem trabalhados? Nunca torci tanto na vida por um personagem secundário, e foi exatamente isso que aconteceu quando me encontrei com Jane. A mesma Jane que encorajou o.w.g a sair do escuro e tentar mais uma vez.
Derek, Simon, Gideon, Maura – eu incrivelmente sinto nojo dela até hoje, mesmo ajudando com o Will de Levithan ao seu processo de amadurecimento, Gary, Nick, e a todos os ex possíveis namorados de Tiny Cooper. Obrigado, vocês me fizeram muito feliz durante esses cinco dias.




Cinco dias esses que se passaram tão rápido por causa de duas escritas tão envolventes, tão incrivelmente vívidas, e que necessitavam serem lidas. Leiam Will & Will, eu recomendo. Foi o primeiro livro onde eu encontrei o tabu de nossa sociedade: o homossexualismo, que muitos ainda estão lutando para serem quebrados a cada novo dia, foi o primeiro livro onde pude encontrar comédia, foi o primeiro livro onde vi palavras de baixo calão serem ditas e repetidas. E não foi só por isso que o livro me cativou e conquistou as cinco tão desejosas estrelinhas de um skoob da vida, mas por que sinceramente este livro aborda o nosso tão imperfeito e fodido mundo. 
Leiam, vocês não vão se arrepender.


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