Ficha Técnica:

Título: Thirteen Reasons Why (no Brasil, Os 13 Porquês)
Escritor (a): Jay Asher
Editora: Editora Ática
Gênero: Romance/Suspense
Nº de Páginas: 255


Sinopse:

"Você não pode interromper o futuro, nem modificar o passado. O único jeito de descobrir o segredo é apertando o play.

Para Clay Jensen, as fitas cassete gravadas por Hannah Baker não têm nada a ver com ele.

 Hannah está morta. E seus segredos devem ser enterrados com ela. 

Só que a voz de Hannah diz a Clay que o nome dele está em uma das histórias dessas fitas - e que, de alguma maneira, ele é responsável por sua morte.

Tomado por espanto, angústia e muito medo, Clay permanece escutando as gravações madrugada afora. Ele segue as palavras de Hannah pelas silenciosas ruas de sua cidade...

... e o que ele descobre, muda sua vida para sempre."


Bem, este livro realmente me pegou. E quando digo isso, falo muito sério, pois são exatamente 02:44 da manhã e minha cabeça está latejando de sono, mas eu preciso escrever esta resenha, por amor à minha alma. Como Hannah Baker diz, trata-se de uma bola de neve, então voltamos ao princípio:

Era um fim de tarde comum, quando eu entrei na biblioteca do meu colégio. Apesar de ser leitora ativa, confesso que aquele não é um lugar que costumo frequentar. Mas naquele dia, meu namorado estava ali, estudando, e pra me distrair enquanto o tempo passava, decidi caminhar entre as prateleiras de livros. Eu não estava atrás deste. Havia ouvido falar há um tempo, mas apesar da curiosidade por causa do tema "polêmico", ele nunca havia entrado na minha lista de leitura, assim como todos os meus livros preferidos. Hehe. 

Mas enfim, lá estava eu, atrás de 1984, de George Orwell, que por algum motivo, não conseguia encontrar (mesmo já o tendo visto antes por ali). Então peguei o primeiro livro que vi na frente, e por sorte, era Os 13 Porquês e li apenas as dezoito primeiras páginas. Resultado? Tive que levar pra casa, óbvio, ainda que precisasse enfiar na mochila escondido. Brincadeira, peguei no nome do meu namorado. :)

Tudo isso foi na segunda, há quatro dias. Sim, eu só demorei tanto (isso soa até irônico para alguns) porque estou em período de aulas. Senão, teria lido em um dia. O livro é um chiclete que consegue manter o sabor até o fim.

Mas enfim, vamos à história. O livro se inicia com Clay Jensen recebendo sete fitas cassete dentro de uma caixa de sapato através do correio. Sem remetente, Clay fica intrigado e vai até a garagem para poder escutá-las. Lá, ele descobre que Hannah Baker, a garota com a qual havia ficado apenas uma vez e que havia se matado há pouco tempo, tinha gravado as sete fitas e as endereçado à treze pessoas, treze motivos de seu suicídio.

Hannah é direta desde o início, já ditando as  regras de como tudo aquilo devia funcionar:


"São só duas. Número um: você escuta. Número dois: você repassa. Espero que nenhuma delas seja fácil para você."


Através das fitas, Hannah pretende contar a história de sua vida, e claro, fazer com que todos eles entendessem à que proporção tiveram participação e influência nisso. Como haviam muitos segredos nas histórias da fita (a cada lado, uma história destinada a uma pessoa diferente), para se certificar de que elas seriam repassadas, Hannah deixou mais sete fitas-cópias, que viriam à público se isso não acontecesse. Assustado, Clay não consegue entender de que forma poderia ter influenciado Hannah a se matar, já que nunca fizera mal à garota. Então, ele começa a escutá-las para desvendar esse mistério.

Assim como o Clay não consegue parar de escutá-las, nós - leitores - também não conseguimos largar o livro. Tudo acontece exatamente como Hannah prevê: um efeito bola de neve. Os primeiros porquês parecem bobos à primeira vista, mas são essenciais para a construção do que viria a seguir, fatos que arruinariam a vida de Hannah e a levariam ao seu ato final: suicídio. Mas isso nós só descobrimos aos poucos, juntamente com os personagens.

Aparentemente, Hannah não deixa transparecer motivos para o suicídio. Clay a descreve como bonita e atraente, divertida e tudo mais, porém, com o passar dos capítulos, percebemos que nem tudo é o que parece. Claro, isso é óbvio, mas ainda assim é um tapa na cara durante a leitura. Nos faz enxergar coisas pequenas, tão descartáveis, como um simples corte de cabelo ou até mesmo um bilhete anônimo suicida durante a aula de debate e comunicação. Quem descartaria isso? Todos nós. Levaríamos como uma brincadeira, ou uma tentativa de "chamar atenção", exatamente como acontece no livro. É uma pena ter sido exatamente o contrário para Hannah.

O livro começa simples e termina polemicamente, trazendo a tona assuntos como bullying, acidente de trânsito, estupro... além do suicídio, é claro. Nós acompanhamos como "a coisa" toda se faz, como os pensamentos suicidas chegam até Hannah e suas últimas tentativas de ter esperança.

Enquanto isso, temos Clay, que com o passar do livro, mostra ter tido uma paixão por Hannah, e desde o início, tocado com as fitas. Mais ainda do que outros poderiam estar, pois sente realmente culpado, mesmo achando não ter feito mal algum à garota. Ele sente compaixão e tenta compreender a sua história. Com isso, temos diálogos alternados entre a narração de Hannah durante as fitas, e os pensamentos e ações de Clay. Esse é um dos maiores acertos do livro. 

Outro acerto são os dois protagonistas, Clay e Hannah. Clay é muito emocional e verdadeiro, um pouco impulsivo também, mas tem carisma e conquista o leitor. Já a Hannah, não há nem o que se dizer dela. Parece um pouco infantil se matar e por a culpa em treze pessoas, mas as fitas são, muito mais do que uma forma de culpá-los, uma última tentativa de compreensão por parte de uma garota que sempre foi enxergada como alguém que ela não é e nunca teve a chance de contar a verdade sobre si mesma. As fitas foram seu último grito, mas não de socorro. 

Ao mesmo tempo, Hannah assume a responsabilidade por seus atos (ou a falta de reação), não soando como uma pessoa imatura, como muitos poderiam vir a pensar. Na verdade, o termo que resume Hannah é perdida. 

A história se passa entre os lugares marcados por Hannah em um mapa que ela entregou a cada uma das pessoas algum tempo antes do suicídio. Clay, é claro, segue pela maioria deles, como forma de tentar conectar-se ainda mais com a história de Hannah. Como um bônus, o livro trás o mesmo mapa, apontando em cada estrela vermelha onde as histórias das fitas acontecem.

Outra coisa que também preciso destacar é a capa. Por estar tão afoita com o enredo, só vim a perceber que o livro era em formato de fita cassete quando pesquisei um pouco sobre ele na internet. No entanto, achei lindo, achei original, achei tudo.

O que dizer sobre o final? Bem, particularmente, eu gostaria de ver a Hannah e o Clay juntos. Mas, não estamos em The Vampire Diaries e a Hannah não pode sair do túmulo e voltar à vida. Da mesma forma, toda essa filosofia de vida é resumida em uma passagem, a minha preferida deste livro:


"Não dá pra voltar atrás para o jeito que as coisas eram. Do jeito que você pensava que elas eram. Tudo que a gente realmente possui... é o agora."



Avaliação: 
☆☆☆




Obs: Vale a pena ler as 13 perguntas ao autor, no final do livro.


2 Comentários

  1. Você traduziu exatamente o que eu senti ao ler esse livro... parabéns...

    ResponderExcluir