Ficha Ténica

Título: Gone Girl/ Garota Exemplar

Autor(a): Gillian Flynn.

Páginas: 448.

Gênero: Suspense/Romance.

Editora: Intrínseca.

Sinopse: Uma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise. Com 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo o maior sucesso editorial do ano, atrás apenas da Trilogia Cinquenta tons de cinza , "Garota Exemplar" alia humor perspicaz a uma narrativa eletrizante. O resultado é uma atmosfera de dúvidas que faz o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy , Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?




Dentre vários títulos que a autora Gillian Flynn escreveu, Gone Girl/Garota Exemplar foi de longe um dos mais aclamados de todas as obras que produziu. Publicado em 2013, Garota Exemplar nos apresenta Amy, protagonista não só de sua história como também da série de sucesso Amy Exemplar, que seus pais escreveram. E claro que não podemos esquecer de seu estranho companheiro, Nick Dunne. 

Logo no começo, Nick narra sua versão dos fatos e vamos nos dando conta do quanto Amy é incrivelmente insuportável, arrogante, egocêntrica e outros defeitos mais. Obviamente que Nick não diria que a culpa era dele, afinal só uma pessoa bastante honesta faria isso. Qualidade que nenhum dos dois citados acima possuem.




Também, os protagonistas cresceram e formaram suas personalidades em ambientes incrivelmente traumáticos. Amy, como sendo a Última Esperança de um número inimaginável de abortos. Desde cedo teve que superar todas as expectativas impostas a ela desde o berço por ser a única que faria isso.

"Há uma responsabilidade injusta que vem com o fato de ser filha única - você cresce sabendo que não tem o direito de desapontar, não tem nem o direito de morrer. Não há um substituto por perto, é você. Isso a torna desesperada para ser impecável e também a deixa embriagada de poder. É assim que déspotas são feitos."

Lance Nicholas Dunne cresceu como o grande herói da mãe. Viveu entre o relacionamento conturbado de seus pais, com o comportamento claramente doentio de seu pai, que afirmava a plenos pulmões odiar as mulheres, piranhas burras. Tudo isso só afirmou a personalidade incrivelmente doentia e obsessiva de ambos os protagonistas. 

Então, continuando, Nick vai desvelando uma série de acontecimentos, que só afirmam a personalidade atroz de sua companheira, Amy.
A narrativa é dividida em três partes: Rapaz perde Garota, Rapaz Encontra Garota e Rapaz consegue Garota de volta (Ou vice-versa). Os capítulos são alternados entre o marido e a esposa, e só salientam o quanto uma união matrimonial pode desencadear uma série de catástrofes.

À medida que fui lendo este livro, me vi diante de diversas interrogações. Gosto muito do gênero Suspense, porém nunca havia escolhido um livro que me chamasse tanta atenção como esse. No início, você, caro leitor, pensa erroneamente que a culpada de tudo é a horrorosa Amy, porque Nick a descreve como uma criatura terrível, e por isso nós passamos a nutrir um sentimento de puro asco por ela. 

Mas com o passar da narrativa, Amy também tem sua vez na história.
E acredite, Amy é a rainha desta história. Você pode achar Amy a pior pessoa do mundo, mas vai passar a criar carinho e até chegar a sentir pena por essa mulher. Manipuladora como ela só, Amy vai destrinchando seu companheiro em partes, e vai nos apresentando o verdadeiro Nick. 

A partir disso, mudamos de foco. Agora, nutrimos ódio por Nick e compaixão por Amy. Mas é aí que está o perigo, meus amigos(as). Esse é um dos recursos que mais me chamou atenção de Gillian Flynn, essa autora consegue nos convencer de que cada personagem principal é inocente. Ela, basicamente, nos faz de “joguetes”, brinca com nossas convicções tiradas da leitura e se aproveita desse artifício para nos surpreender a cada virada de página.

Eu sou suspeita para criticar suspense, pois ainda sou muito leiga no gênero.
Mas, Gillian nos surpreende tanto, que fica difícil definir uma única teoria plausível para o desfecho do livro. Porque a medida que o livro vai se passando, nós esperamos que ou Nick seja o culpado ou Amy seja a culpada. Porém logo ficamos sabendo que os dois são culpados, que os dois se destruíram quando decidiram se unir, portanto ela desmitifica o clichê. 

Mais adiante, nós ainda tentamos “elaborar” alguma possível conclusão satisfatória deste livro, e não conseguimos. Por quê? Porque mais uma vez, a autora nos surpreende. Chega um determinado ponto da leitura, em que você não se dá conta, mas não elabora mais nada. Somente espera, como um pacífico expectador. 

Gillian Flynn acaba com os clichês neste livro. Ela nos apresenta uma narrativa com um tema bastante atual, crises matrimoniais.
Desmitifica o clichê, vai além das expectativas. Nos mostra até que ponto seus parceiros podem se transformar em monstros. Essa história tinha tudo pra ser superficial, porém não o é. A autora vai a fundo, abre a ferida, nos mostra os dois lados da esfera e vai até o cerne da questão. 

No fim, nós sabemos que ambos os personagens são culpados. Ambos são manipuladores, egoístas, egocêntricos e cheios de si, portanto se merecem. Um completa o outro. Um suspense com uma dose extrema de amor obsessivo. 

O que posso falar dos personagens? Bem, a autora soube muito bem desenvolver seus personagens. Até os secundários, como Margo, Andie e os pais de Amy são descritos. Claro que sob a ótica nada passiva dos protagonistas. 

O que achei mais interessante e mais me chamou a atenção foi a personalidade monstruosa e macabra de Amy e Nick. E fica difícil até mesmo acreditar que existe pessoas desse nível no nosso mundo. Psicopatas, grandes fingidores, puros egoístas.

E a narrativa? Poderia até dizer que Gillian é bastante direta, porque ela é, mas deixaria de citar uma de suas mais importantes características, a riqueza de descrições.
É muito primoroso desvelar os cantinhos mais obscuros desse livro e enxergar a maravilhosa obra que essa mulher criou. 

É muito bom no decorrer de nossa vida com os livros, vê uma autora “estreante” que é merecedora por seu trabalho incrível. Não cansarei de elogiar Gillian Flynn. E esse livro não é o seu único, todos os outros tiveram seus direitos vendidos para que no futuro sejam também obras cinematográficas, assim como Na própria carne, publicado também no Brasil pela Intrínseca. Dou cinco estrelinhas para esse divisor de águas.


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