Ficha Ténica.:

Título: A Costureira;

Autor(a): Kate Alcott;

Gênero: Romance/Drama;

Editora: Geração Editorial;

Páginas: 374;

Ano: 2013.



A Costureira – Segredos, Romance e Morte no rastro do Titanic, publicado em 2013 pela Geração Editorial, é escrito por Patricia O’Brien sob o pseudônimo de Kate Alcott

A Costureira tem como pano de fundo histórico a tragédia do Titanic. Tess Collins, uma jovem inglesa sonha em ser mais do que uma servente e ambiciona com o dia em que será reconhecida como costureira.

Inesperadamente, ela acaba por encontrar-se com Lady Duff Gordon, famosa estilista na época. No meio de todo o deslumbramento da partida do Titanic, Tess acaba por convencer Madame Lucile a lhe oferecer um emprego como empregada pessoal.

Desde o início, ela revela a Lucile que sabe costurar muito bem e que a admira muito. Isso, sem dúvida alguma, amacia o ego da fria Madame Lucile, que enfim a aceita. 

Partindo rumo aos Estados Unidos, Tess finalmente começa a sentir-se feliz com o destino que lhe reserva e acaba se vendo frente a frente com seus sonhos.

No meio de tanto luxo e glamour, Tess acaba por ver as más condições a que as segundas e terceiras classes são submetidas.
Antes de ser transferida para uma cabine próxima a suíte de Lucile, ela acaba por ver dezenas de pessoas literalmente amarrotadas ali, e fica horrorizada. Aquelas pessoas estavam ali, assim como ela, tentando uma vida melhor na Nova Inglaterra. Próspera e livre.

Enquanto desbrava o interior do encantador Titanic, Tess conhece Jim. Um marinheiro que está ali a trabalho, e que se encanta por ela. E enquanto ela se divertia, também conheceu Jack Bremerton, um milionário do ramo automobilístico. 

Porém a deslumbrante viagem no Titanic é interrompida abruptamente por um iceberg, que se choca contra o navio e acaba por afundá-lo. E que dali se tornaria uma das maiores tragédias marítimas de todos os tempos. 

Tess e Lady Duff sobrevivem, mas acabam vendo todo o horror das centenas de pessoas que morreram congeladas e afogadas no mar. É angustiante acompanhar Tess rezar pelos corpos que foram resgatados no Carpathia.



“Eu volto meu rosto para o sol nascente – sussurrou Tess, as palavras vindo de algum lugar de sua memória. – Oh, Senhor, tende piedade.”



Em Terra firme, Tess vive os dilemas com Lucile e as aflições do amor e as chances da tão sonhada ascensão social. E Lady Duff acaba por ser envolvida nos escândalos do inquérito sobre o terrível desastre naval. 

Com um retrato histórico do século passado, A Costureira nos apresenta sob um ângulo impactante, essa tragédia que até hoje nos abala fortemente.
A trajetória dessas duas mulheres é moldada sob o amor que ambas possuem pela linha e agulha. Tão semelhantes e tão distintas, Tess e Lucile nos mostram o quanto aquela sociedade era dividida e conturbada.

Tess representa a modernidade à espreita, e Lady Duff a presença constante e decadente da Belle Époque. Mundos totalmente opostos que acabam por trilhar o mesmo caminho rumo ao futuro.

Nesse turbilhão, Tess fica dividida entre Jack e Jim. Sabendo que se escolher o primeiro, isso lhe trará reconhecimento como costureira e consequentemente seus sonhos realizados. Porém, ela ver-se apaixonada por Jim, e enfim resolve ficar com ele, após um declínio de sua parte.

Na confusão do inquérito de toda essa tragédia, conhecemos Pinky Wade, jornalista do The New York Times. Esperta e petulante, Pinky nos mostra um retrato da luta diária que uma mulher trava diante dos preconceitos e das ideias machistas.

Com uma escrita impactante e bastante real, Kate nos dá uma primorosa visão de todo o terror instalado. De uma sociedade plenamente dividida em dois mundos opostos, que divergem entre si. O cotidiano luxuoso na Inglaterra e crescente correria nos Estados Unidos. 

Adorei ler A Costureira, mais um romance histórico pra bagagem literária que venho construindo. Porém tiveram alguns inconvenientes no decorrer dessa leitura.
A tradução desleixada, coberta de erros ortográficos e palavras cortadas, deixa o leitor a ver navios. Você simplesmente tem que adivinhar qual a palavra que melhor se encaixa naquele contexto. Vamos melhorar, né? Essa edição que possuo deixou muito a desejar, mas não tirou o brilho da história. Mas fica o aviso: tenham mais cuidado com as edições/traduções de suas publicações. 

No mais, dei cinco estrelas para essa história. Do início ao fim, não me arrependi de entrar no mundo avassalador dessas duas mulheres.


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