Ficha Técnica.:

Título: Admirável Mundo Novo;

Autor(a): Aldous Huxley;

Gênero: Distopia, utopia, ficção científica;

Editora: Biblioteca Azul;

Páginas: 312;

Ano: 2014.





Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932, e narra um futuro inteiramente distópico, onde as pessoas são condicionadas biológica e psicologicamente.

Distopias não fazem o meu gênero, mas como me interesso por clássicos, acabo lendo determinado gênero, só pra conhecer mais e ampliar meus conhecimentos nesse mundo da Literatura. Admirável Mundo Novo não foi diferente. Eu simplesmente fiquei chocada, e posso até dramatizar um pouco e dizer que fiquei até abismada. 

Eu estou empacada em 1984, de George Orwell, mas lembro claramente da sensação que este clássico passou pra mim. Seu queixo literalmente cai à medida que sua leitura vai progredindo.
E o que mais me surpreendeu, e que eu me dei conta no decorrer da leitura, foi que isso poderia facilmente acontecer no mundo real. A tecnologia está num patamar tão elevado, mais tão elevado, que não duvido nada que isso aconteça de fato. 

Mas bem, é uma utopia. E uma belíssima crítica contra os tempos atuais. Foi publicado em 1932, mas até hoje reflete no nosso cotidiano, que parece se espelhar nesse enredo.

Logo nos primeiros capítulos, Huxley descreve a dita sociedade distópica, onde o sexo é permitido e até “respeitado” dentre todos. A promiscuidade é uma qualidade e incentivam isso com os ditos “chicletes sexuais”. Inicialmente, como o autor vai apresentando tudo, confesso que senti certa dificuldade pra entrar no ritmo da história, com o teor científico de suas primeiras páginas. Mas rapidamente você se sintoniza com o enredo.

Nessa sociedade, Shakespeare e tantos outros escritores de renome internacional são esquecidos e banidos. Jesus Cristo e todas as religiões são empurradas para o tapete literalmente falando. Não existe arte, religião, Literatura com o princípio inicial de entreter. A música, o cinema e a Literatura só tem o intuito de manter as pessoas “adestradas”.

Se você, assim como Bernard Marx – um Alfa-mais – é quieto, não sai com todas as mulheres que te chamam pra sair, solitário, vive questionando a sociedade atual, então você facilmente seria reprimido e exilado para a Islândia. Um dos pesadelos de qualquer Alfa.

As pessoas são condicionadas desde a sua concepção. Não existe mães e pais.
E quando o povo ouve esses termos, é um motivo de piada. Blasfêmia, pra ser mais exata.

Desde o bocal onde são concebidas, literalmente “filhos de chocadeiras” na linguagem popular, eles moldam os diversos tipos de seres que vão formar as castas existentes. Dando privilégios para os mais elevados, tornando-os mais intelectuais, bonitos. E moldando o típico modelo perfeito para as castas inferiores. Os Betas e todos aqueles que servem à sociedade. 

É como se fosse uma grande fábrica de fazer pessoas. Pessoas sem emoções tão exaltadas, sem doenças, sem grandes distrações que o impeçam de trabalhar, de fazer o que lhe é devido. Eles não ficam gordos, nem tampouco velhos. A morte não mais é temida, virou algo natural, uma fase fisiológica. Seus corpos são cremados e viram o composto químico Fósforo.

Uma sociedade que se baseia em Henry Ford, nas suas linhas de montagem, na produção em série, na racionalidade do ser humano. Admirável Mundo Novo critica todo o sistema capitalista, que por si só já é selvagem. Onde ser racional virou sua nova religião, seu mais novo ídolo. Onde Shakespeare é visto como revolucionário pelas coisas que escrevia.

Admirável Mundo Novo não se trata apenas de ficção científica e utopia, mas sim um exame altamente intrincado do poder das autoridades do próprio mundo que vivemos.
Serve de alerta constante que se não conservarmos o humanismo, seremos surpreendidos numa prisão. Surpresa? Ah, como se isso existisse nesse novo mundo. 

O que mais me deixou inquieta foi ver o nível elevado de alienação. Meu Deus, é impossível se imaginar num mundo desses. Onde as pessoas são vazias, onde não há sentimento algum. Não há guerras, nem tampouco distrações. As autoridades simplesmente foram lá e reprimiram a antiga sociedade, inventaram um novo mundo em que todos são robôs.

Enfim, dando atenção a edição, eu simplesmente amo os exemplares da Biblioteca Azul. É evidente o trabalho dedicado deles em suas edições.
Desde a belíssima capa, contracapa, até as páginas, a diagramação e o verso com o autor em destaque. Espetacular!


Dei cinco estrelas pra essa distopia que sem dúvida alguma tirou meu fôlego, que agora vou recuperar com os romances água com açúcar.








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