Coluna Quinzenal: (30/03)


Literatura LGBTQ 





Olá, pessoas!



Hoje eu vim aqui trazer pra vocês uma novidade. Eu andei pensando em algo mais para o blog além das críticas, lançamentos de editoras, leituras e lidos do mês. 

Pra não cair na mesmice, eu pensei numa coluna quinzenal no blog. Eu postaria essas colunas duas vezes ao mês, e os assuntos que eu irei discutir terão uma ligação com a Literatura, a Arte ou ao Cinema.


Aviso antecipadamente que esta coluna me passou pela cabeça quando vi a Taty do Cabine Literária discutir sobre diversos assuntos e indicar alguns títulos para lermos e também da Geli, que tem um quadro em seu canal no Youtube – Vamos Ler? – que se chama Opinião Literária.

Como vocês podem ver, nessa primeira coluna, eu queria falar um pouco sobre a Literatura LGBTQ. Seria mais lógico abrir esta coluna falando sobre algo que englobasse essas três artes, e eu farei isso mais a frente. 

Mas achei crível comigo mesma começar isso aqui falando sobre a Literatura LGBTQ. Porque é algo que constantemente venho pensando.

Me considero relativamente um bebê como leitora, sei que tenho muito para ler ainda na vida, mas nesse pouco tempo que experimentei, pude ver que as narrativas que vi pela frente eram sempre os mesmos modelos instituídos pela sociedade vigente.

Uma guria antissocial, que não se encaixa em nenhum grupinho do colegial e que é constantemente vítima de bullying por seu “estilo” não ser igual ao dos outros jovens, ditos normais. Um carinha que é capitão do time de futebol, popular em toda a escola e ícone de beleza para todos dali e objeto dos olhares de desejo das garotas. O típico garoto perfeito, mas que sempre esconde alguma coisa.

Todos pensam que ele é feliz, porque todo mundo quer uma vida como a dele. O clichê surge quando de repente, o garoto passa a enxergar a “estranha” que sentava ao seu lado, e passa a alimentar uma paixão feroz por ela. E isso faz com que ele se liberte de suas “prisões”, como a vida popular que levava e todo o status que tinha só para ficar com a guria.

Tudo isso foi um clichê há muito tempo inventado, plastificado e seguido até os dias de hoje. Mesmo nos tempos atuais e com diversos autores que escrevam narrativas reais, com personagens que representem o mais fielmente possível nós mesmos, esse clichê ainda sobrevive. 

E por isso que ficou chato e maçante ler narrativas deste tipo. Autores como John Green, Jennifer Brown, Gillian Flynn, Chevy Stevens, Jojo Moyes, David Levithan e tantos outros ganharam a atenção dos leitores pelo mundo a fora.

Porque eles escreviam – e ainda escrevem, histórias baseadas em enredos de pessoas reais. Personagens que facilmente seriam reconhecidos na rua por serem tão realistas e lógicos. Porque a grande mágica desses escritores foi traduzir a vida real para a Literatura. Foi observar certas ações , certos dilemas que pessoas reais viviam no dia a dia. Foi captar o cotidiano e trazê-lo para os livros.

Esses autores trouxeram à tona assuntos pouco comentados na mídia e em outros meios de comunicação, como o bullying, que a Jennifer Brown teve a sensibilidade de trazer para sua narrativa, A Lista Negra. John Green, que alguns podem afirmar que virou modinha, revolucionou o mundo da Literatura por trazer para o público leitor casais ditos como “impossíveis” de acontecer. Casais que possuíam divergências e discrepâncias a mil, mas que tinham o amor em comum. Casais que valorizavam realmente o amor, porque não dispunham de tempo para desperdiçar. Casais esses que infelizmente eram pacientes terminais, como em A Culpa é das Estrelas.

David Levithan - Will & Will, Garoto encontra Garoto, Dois Garotos se beijando - que há anos escrevia para o público LGBTQ ganhou nossa atenção recentemente. E acredito que isso seja o começo para mais uma revolução no nosso grande mundo literário.

Em meio há diversas histórias e enredos que só envolviam o dito casal “normal” e mais “aceitável”, alguns de nós começamos a sentir falta de alguma coisa. Porque se a Literatura se tornou mais acessível e fiel ao mundo real e ao cotidiano, por que não mostrar também outros casais que não tinham tanta visibilidade assim?

Por que não escrever um romance onde uma garota no colegial, rodeada por outros adolescentes com suas vidas e dramas amorosos, se descobre quanto à sua sexualidade? Por que não mostrar ao grande público toda a confusão instalada nesse caminho, todas as dúvidas, todos os medos e receios que essa garota sentirá durante sua descoberta?

Por que não também mostrar as pessoas uma narrativa onde uma garota se dê conta de que está se apaixonando por sua melhor amiga? Ou de um garoto que está atraído pelo típico “machão”?

Nós sabemos que o público LGBTQ está ganhando mais visibilidade no cenário mundial e nas grandes mídias, mas ainda existe muito preconceito. Existe uma boa parcela de pessoas que não aceitam, e que não acreditam nessa minoria. A maioria cita a religião e diz que o modo como eles vivem vai de contra a moral e aos bons costumes. Fere e denigre a bíblia sagrada, que Deus não tolera isso. Que a homossexualidade é pecado.
Não quero entrar em nenhuma discussão religiosa aqui, porque essa não é minha real intenção, só iria mascarar o que eu realmente queria discutir aqui com vocês. 

Vemos casais sendo agredidos verbal e fisicamente só por simplesmente caminharem de mãos dadas. Vemos garotas que não seguem os padrões de beleza e de moda das outras mulheres e são hostilizadas, ditas como “masculinas”. Vemos garotos sensíveis, que respeitam bem mais do que os “homens” e que são rotulados como “frutinhas”. Até eu mesma já presenciei coisas assim. E digo que não é nada fácil engolir isso e seguir em frente. Sabe por que não é fácil? Porque eu simplesmente não consigo aceitar que algumas pessoas tenham a mente tão fechada ao ponto de não considerarem toda forma de amor possível, como já dizia Lulu Santos. E isso é algo que eu e tantos outros veem por aí, e que gostamos sempre de ressaltar. 

O público LGBTQ gosta de frisar isso. Gostam de mostrar ao grande público conservador que os ditos “imorais” amam também. E desde quando esse conservadorismo dita nossa sexualidade, até o nosso amor como “válido”? Desde quando passamos a ter juízos de valores, pseudo intelectuais que se acham no direito de bater no peito e dizer que duas mulheres vivendo juntas é errado, é imoral?

Isso chega até ser crueldade, oprimir e ridicularizar essa minoria que cresce e ganha visibilidade no mundo todo. 
E é nesse sentimento de revolução e mudança nos tempos atuais que vemos a ausência de livros que abordem esse público. É como se estivessem censurando ou até mesmo colocando uma grande tarja preta nos nossos olhos. E me pergunto, como ainda hoje em dia, possa existir algo assim. 
Num mundo onde estamos a um clique de saber sobre tudo, onde não existe mais fronteiras para o conhecimento, como a Literatura, um dos meios que mais libertou o ser humano da ignorância pode está tão “atrasada” assim? Confesso pra vocês que meu sentimento é de pura decepção. E acredito que eu não seja a única a sentir isso. 

Decepção por poucos autores escreverem sobre o público LGBTQ e não ganharem tanta ou até mais sucesso e notoriedade quantos os outros escritores. Por isso que quando David Levithan bombou com seus romances homossexuais houve polêmica e muitas discussões acerca do assunto. 

Eu sei que não sou a única a esperar pelo dia em que terei uma gama imensa de romances LGBTQ para ler, e que até mesmo ficarei dividida entre quais deles lerei. Eu espero pelo dia em que essa dita “minoria” ganhe respeito e passe a ser aceita por todos. E que não mais sejam chamados e rotulados de minoria, porque nem isso eles são mais. Esse público ganha força pelo mundo todo e só o que pedem é respeito e aceitação. Aceitação e respeito ao amor que nutrem. E que sejamos sinceros não eram nem pra pedir por isso e sim ter, como todos os outros. 


É assim, num tom reflexivo, que finalizo nossa primeira coluna quinzenal do mês. Virão outras depois dessa, podem esperar. Comentem aí embaixo do que acharam da coluna e vamos discutir – com respeito - sobre esse assunto.


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