Coluna Quinzenal (15/04)





Por que o brasileiro não lê?






Olá, pessoas!



Hoje eu vim aqui novamente trazer pra vocês mais uma coluna quinzenal. Eu já tinha definido esse tema bem antes de começar essa coluna, e aí algumas semanas depois, o Cabine Literária com a Tati Feltrin discutiram essa questão: por que os brasileiros não leem?

Deixarei aqui abaixo o vídeo da discussão sobre este assunto:



Confesso pra vocês que falar sobre isso é um tanto quanto complicado, porque isso já está tão impregnado na sociedade que já nos acostumamos com a falta de leitura.

E ficamos instantaneamente admirados quando encontramos pessoas por esse Brasil afora, que goste e cultue o amor pela Literatura. Eu, constantemente fico chocada quando encontro leitores no meu dia a dia, o que é raridade, confesso pra vocês.

Desde o descobrimento do Brasil e acredito que todos saibam disso, os portugueses vieram para cá com um único intuito: explorar nossa terra. Diferentemente de outros países, como o Estados Unidos, que tiveram uma colonização de povoamento. 

E Portugal trouxe para cá diversos criminosos, párias da sociedade, prostitutas e negros escravos. Não estou menosprezando as origens do Brasil e sim ressaltando sua diversidade.

Vivemos num mundo onde as informações estão a um clique, onde tudo é rápido e passageiro. As pessoas deixaram de lado o hábito de escrever manualmente e hoje vivem teclando em seus smartphones ou em seus notebooks. E junto com isso, as pessoas deixaram de ler. 

O Brasil tem uma forte cultura que banaliza a Literatura. A população não dá o real valor aos livros. E assim o livro passou a ser símbolo de chatice para todos.

As pessoas não possuem mais paciência e tempo para ler um livro e viver no mundo da Literatura. E sabe qual é o grande problema? Nossa sociedade cultua um preconceito sem muitos fundamentos; que os livros são enfadonhos, chatos e constantemente dão sono.

E consequentemente numa sociedade onde a maioria não lê, temos uma nação pobre de conhecimento. E aí eu não estou falando somente da Literatura ficcional, que tem o intuito exclusivo de entreter e distrair, mas os gêneros de não-ficção. As pessoas não leem mais, e quando digo ler, falo em geral. Não leem os jornais, as revistas etc.

Nós estamos tão acostumados com essa cultura, que aceitamos isso sem nem sequer saber. Um exemplo forte que percebo é que nas diversas páginas do Facebook ou do Twitter, nós só lemos aquele review que um Jornal conhecido publicou. O link para redirecionarmos para a matéria completa está lá, mas nós quase sempre os ignoramos. 

E quando uma população fecha os olhos para a leitura, ela fecha um mundo. Quando uma população menospreza e tem como anormal alguém que lê, temos um país pobre e isso nos afeta em todos os âmbitos, tanto social, política, econômica e culturalmente. E num país pobre, as pessoas deixam de pesquisar sobre os candidatos políticos que vão governar pra gente.

Temos uma estranha cultura de acomodação e votamos no que é mais conveniente pra nós mesmos. Quem aqui não está acompanhando, mesmo que por cima, as manifestações em todo o Brasil contra o governo atual e a corrupção que mancha nosso país? Acredito que todos estão cientes da situação atual. 

E quando a população vai às ruas e pede por intervenção militar vemos que elas pouco sabem da história do Brasil. E ficamos desnorteados e assustados com a falta de memória do povo. Porque quando as pessoas esquecem do que aconteceu, elas fecham os olhos pra história e cometem os mesmos erros do passado.

Não quero me arrastar neste assunto, mas quando vejo os noticiários mostrando esses protestos, a única coisa que me passa pela cabeça é: se as pessoas lessem mais, estariam lutando por algo mais significativo. E aí eu cito algumas centenas de pessoas que foram às ruas pedir pela reforma política, por um país mais coerente e justo. 

É utopia sonhar que sua nação passe a cultivar o amor pela Literatura? É utopia visualizar um país que admire os livros? É bobagem minha sonhar que um dia as pessoas reconheçam o valor que um livro possui? Acredito que não, e também creio que não estou sozinha nesse sonho/luta.

E quando digo luta, falo no sentido mais literal da palavra. Porque hoje em dia, não temos mais tempo pra nada, como falei acima, mas sempre damos um jeitinho pra ler. Seja na fila de um banco, seja dentro dos ônibus, dentro de um metrô ou nos intervalos de almoço do trabalho. Quando a gente quer, a gente faz. Já ouviu falar disso? Acredito que sim.

Existem tantas formas de mudar essa cultura. Há diversas pesquisas e inovações nessa área, principalmente para os jovens que precisam ler clássicos da Literatura Brasileira, mas que os consideram chatos e lentos. Há novas ferramentas e possibilidades de fomentar a leitura da população jovem de nosso país. Temos os e-books, os audiobooks até mesmo os tabletes. As opções estão aí, só falta termos profissionais capacitados para ensinar aos adolescentes de hoje em dia, que ler vai muito além de pegar um livro entre as mãos e tentar não cair no sono.

E quando eles perceberam que ler vai além, vai além do nosso cotidiano. Ah, acredito que aí eles se encantarão com os diversos mundos que estão esperando por eles a apenas uma página de distância.


Então, eu sigo lutando, lendo nas minhas viagens diárias dentro dos ônibus e me abrindo pra mundos que antes eram desconhecidos por mim e que agora fazem parte do meu cotidiano.


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