Ficha Técnica

Título: Psicose

Autor(a): Robert Bloch;

Gênero: Terror, Suspense, Drama;

Editora: DarkSide Books;

Páginas: 240;

Ano: 2013;

Sinopse: Psicose, o clássico de Robert Bloch, foi publicado originalmente em 1959, livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein. O protagonista Norman Bates, assim como Gein, era um assassino solitário que vivia em uma localidade rural isolada, teve uma mãe dominadora, construiu um santuário para ela em um quarto e se vestia com roupas femininas.
O livro teve dois lançamentos no Brasil, em 1959 e 1964. São, portanto, quase 50 anos sem uma edição no país, sem que a maioria das novas gerações pudesse ler a obra original que Hitchcock adaptou para o cinema em 1960. A DarkSide orgulhosamente tem o prazer de reparar este lapso, em julho de 2013, com o lançamento de Psicose em versões brochura (classic edition) e capa dura, limited edition que incluirá um caderno especial com imagens do clássico de Hitchcock.
Uma história curiosa envolvendo o livro é que Alfred Hitchcock adquiriu anonimamente os direitos de Psycho e depois comprou todas as cópias do livro disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, ele conseguisse manter a surpresa do final da obra.
Em Psicose, Bloch antecipou e prenunciou a explosão do fenômeno serial killer do final dos anos 1980 e começo dos 1990. O livro, junto com o filme de Hitchcock, tornou-se um ícone do horror, inspirando um número sem fim de imitações inferiores, assim como a criação de Bloch, o esquizofrênico violento e travestido Bates, tornou-se um arquétipo do horror incorporado a cultura pop.







Olá, pessoas!


Hoje vim trazer pra vocês mais uma resenha. O livro da vez agora é Psicose, do Robert Bloch. Faz alguns dias que acabei a leitura deste livro e estava literalmente louca pra escrever sobre ele.

Naturalmente, esse livro é de conhecimento geral. Psicose tornou-se um clássico de terror contemporâneo juntamente com outros grandes nomes como O Massacre da Serra Elétrica, O Exorcista, O Exorcismo de Emily Rose, e tantos outros.

Acho que já disse a vocês que tenho pavor à filmes de terror. Exatamente! Não suporto assistir filmes de terror. Não consigo dormir e digerir a história como os outros normalmente fazem. Tenho pavor a coisas visuais. Por isso que fui em busca desses clássicos escritos em forma de livros, de narrativas, fáceis às minhas mãos e a minha mente sensível. No começo, eu tive bastante receio. Pensei que meu medo fosse tão grande que nem livros desse gênero me fariam conhecê-los e acompanhá-los. Mas que alegria que eu descobri, quando comecei a ler livros com essa temática e passei a tolerá-los, nem isso, mas sim gostar deles. 

Isso aí! Eu simplesmente amei todos os livros deste gênero. E com Psicose não foi diferente. Por isso que venho lendo livros de terror. Tenho até uma listinha super creepy dos livros que ainda tenho que ler. 

Há uma coisa incrível e impressionante quando passamos a ler livros deste tipo. É como se estivéssemos lendo aquele personagem, como se estivéssemos tirando um raio-x e uma ressonância dele. Sua mente, sua personalidade, seu jeito, sua postura diante a sociedade. Absolutamente tudo. É como se entrássemos na cabeça de determinado personagem e por alguns momentos, vivêssemos com ele, por ele. 

Eu sei que é assim quando lemos outros livros, e eu sei também que isso é um dos maiores prazeres da leitura, quando passamos a nos conectar com o personagem de uma forma que somos ele. Pegue isso e alie ao fato de que nosso personagem é doente. Não doente no físico, mas sim psicologicamente. Um psicopata vivendo sua vida como qualquer outro ser vivo, exceto por um detalhe, Norman Bates é um psicopata. E vive camufladamente debaixo da saia de sua mãe. Uma criatura que se brincar é tão estranha e bizarra quanto seu filho. 

A história começa com Mary Crane, uma secretária qualquer que trabalha numa imobiliária. Mas o que a diferencia de todas as outras é que Mary vem pensando nos últimos tempos em sumir dali e fazer alguma coisa, e quando a imobiliária recebe uma grande quantia, ela não pensa duas vezes, arma um golpe e desfalca cerca de 40 mil dólares do lugar. Com esse dinheiro, ela foge e vai parar num motel de estrada bem no fim do mundo.

E é aí que quem narra a história é Bates e em alguns momentos ele empresta a narração aos outros personagens envolvidos na trama. Norman é um homem crescido, na casa dos quarenta anos, que ainda vive com a mãe. 

Ele toma conta de um motel que leva o sobrenome dele e que é logo atrás de sua casa e próximo a uma estrada que antigamente era bem movimentada, mas com o crescimento acentuado na pequena cidade, o estabelecimento dos Bates logo perde força.

Norman vive sua vidinha estranha e medíocre naquele fim de mundo. Bates nos revela seus passatempos preferidos, como a taxonomia e o gosto por livros com temas nada peculiares. E é a partir disso que vamos conhecendo nosso psicopata. Norman é dono de uma personalidade extremamente bizarra, e mesmo sem conhecermos muito dele, percebemos isso.

Se isso já nos causa medo, imagine quando ele passa a nos contar sobre sua mãe? A partir do momento que ele nos mostra Norma, nós logo percebemos o quanto sua mãe exerce controle e é presente na sua vida. Norman é uma marionete nas mãos de sua mãe, Norma. Até o nome do filho tem essa intenção, torná-lo mais próximo dela. Já que pelo que percebi, Norma queria uma garota e como veio um garotinho, resolveu torná-lo seu espelho.

                                                                                                                                                       

Mesmo com uma relação conturbada, mãe e filho vivem tranquilamente. Mas é tão incômodo quando eles se desentendem, porque Norma passa a humilhar seu filho e sempre diz que o mesmo nunca conseguiria viver sem ela. Porque Norman, ela e nós temos ciência que sua mãe é como o oxigênio para ele.

E é exatamente por causa dessa relação doentia e corrosiva, que quando Mary se instala no quarto seis, Norman a observa por uma brecha da parede que dá pro chuveiro do banheiro do quarto onde ela reside. 





A narrativa tem um teor extremamente psicológico, o que nos envolve ainda mais. A transformação de Norman quando passa a bisbilhotar Mary é tão visível que o choque nem chega a se instalar totalmente na mente do leitor, porque logo em seguida, sua “mãe” ataca e esfaqueia nossa hóspede.

A partir daí, nós vivemos Norman. Lembra do que lhes falei sobre a conexão quase que espontânea que temos assim que iniciamos a leitura deste livro? Pois é. Nós vivemos Norman e acompanhamos ele, quando o mesmo friamente calcula tudo e esconde o corpo de Mary dentro de seu carro e joga o mesmo num lago próximo dali.

O enredo chega num ponto em que é tão envolvente que quando percebemos estamos torcendo pra que tudo dê certo pra Norman. Vê o quanto isso é bizarro?

Nosso psicopata é tão interessante e cheio de peculiaridades bizarras, que não queremos que ele seja pego. Queremos que ele saia impune. E sentimos isso mais intensamente, quando o Detetive da Paridade Mútua do Seguro onde Mary trabalhava vai investigar o sumiço do dinheiro e de Mary. 

Arbogast, sujeito esperto, vai atrás do amante de Mary, Sam. E primeiramente acredita que ele esteja envolvido na história. Mas acaba percebendo que Sam nada tem a ver com aquilo, e como trouxe consigo a temerosa Lila, irmã de Mary, acaba deixando-a sob os cuidados de Sam para ir em busca de respostas.

O detetive segue os possíveis rastros deixados por Mary e acaba encontrando o Bates Motel. E é lá que encontra nosso psicopata. Norman fica um pouco surpreso e acaba dando algumas pistas a Arbogast, que logo suspeita do envolvimento dele naquilo tudo. Ele perturba tanto Norman, que o mesmo não tem outra alternativa a não ser deixá-lo entrar em sua casa e falar com sua mãe.

Até aí, nós tememos junto com ele. Porque sabemos que se Arbogast chegar perto da mãe de Norman, ele não sobreviverá. E ele realmente não sobrevive. É pisar na casa dos Bates, que logo morre esfaqueado também. E Norman esconde o corpo do mesmo jeito que fez quando sua mãe matou Mary.

Tudo isso feito como se fosse um ritual. Fria e calculadamente. Mas agora, Norman tem ciência de que não pode errar. Agora, ele sabe que virão mais pessoas à procura de não só Mary, mas do detetive. E é por saber que meticulosamente planeja tudo e somente espera na recepção do motel.

E quando o xerife chega e lhe faz algumas perguntas referentes à antiga hóspede, ele responde normalmente ao velho. O xerife aparentemente parece querer tirar alguma verdade dele, mas logo se dá conta de que o estranho Bates nada tem a ver com aquilo. Ele é só um homem solitário, tomando conta de um motel à beira da falência.

O xerife volta ao centro da cidadezinha e informa a Sam e Lila que nada conseguiu indo atrás do dono do Motel. Mas Lila bate o pé e temerosa por sua irmã, convence Sam a ir até lá. O homem vai ao motel, mas o encontra fechado. Para não dar a viagem como perdida, decide ir na casa do dono, mas mesmo após chamá-lo dezenas de vezes, ninguém o recebe. 

Ele assim como o xerife volta pra casa com um peso ainda maior na consciência por não saber quando isso terá fim. Tenta convencer a Lila de que provavelmente sua irmã rumou pra Chicago, com base no que o xerife conseguiu coletar de informações de Bates, mas Lila não acredita. 

Ela desconfia de Norman, e intui que ele tem alguma coisa a ver com o sumiço de Mary. O xerife lhes conta que Norman não está envolvido nisso, que o conhece há tempos e sabe que mesmo o homem sendo estranho e solitário pela perda de sua mãe, anos atrás, não poderia ser capaz disso.

Ele também lhes conta que o homem sofreu quando a mãe morreu. Norma deixara um bilhete de suicídio e se matara juntamente com Joe Considine, tio dele. Ambos estavam juntos, mas ninguém os aceitava. E foi por causa disso que Norman passou algum tempo num hospício.

Esse fato que o xerife nos revela é chocante. Porque até o momento, nós imaginávamos que a mãe de Norman estivesse viva. Temos certeza disso, e acabamos enganados.
Tudo o que a gente acha, todas as suposições possíveis que nos passam pela cabeça são jogadas no lixo. Essa história nos engana e não é pouco, meu caro leitor. Ela nos envolve, nos toca, nos faz acreditar em algo piamente para logo depois nos vermos embasbacados com a conclusão desta trama.

Tudo é tão real, que não acreditamos naquilo. Mas é a verdade. A mãe de Norman morreu há vinte anos atrás. E é aí que nos damos conta, se Norma está morta e enterrada, quem está matando? Essa é a grande questão.

Não convencida daquilo tudo, Lila juntamente com Sam vão para o Motel. E lá encontram Norman. Ele não se surpreende, ao contrário, ele já estava esperando-os.

Sam e Lila pedem um quarto, Norman lhes dá a chave, mas Lila esperta, pede a chave do quarto seis. Norman diz que aquele quarto está com o ventilador quebrado, mas Lila diz que não se importa. Como Norman nada pode fazer, acaba lhe dando a chave do quarto onde a irmã dela morreu.

Assim que entram, Norman lhes observa pela mesma brecha do banheiro do quarto, mas só consegue ver quando Lila entra no chuveiro e começa a procurar por algum resquício de sua irmã ali. 

A tensão é visível, não queremos que Norman seja pego. Até torcemos pra que ele acabe matando os dois. Mas Lila descobre um dos brincos de Mary, uma joia rara, dada por ela e que foi feita unicamente para sua irmã. Lila mostra a bijuteria para Sam que percebe sangue coagulado em volta da joia e a partir daí logo concluem que Mary morreu ali.

A partir daí, eu não posso falar mais nada para vocês. LEIAM, e saberão o final. Mas aviso logo, que final incrível! 



Dei cinco estrelas para o livro e mais cinco para a edição espetacular da DarkSide. Minha edição é a de brochura e ainda assim é perfeita. O trabalho deles é tão visível e tão maravilhoso na brochura que você imagina que a edição de capa dura é perfeita! As outras editoras deveriam se inspirar na DarkSide e fazer edições bem mais trabalhadas, porque nós leitores merecemos. 


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