Ficha Técnica

Título: A Redoma de Vidro (The Bell Jar)

Autor(a): Sylvia Plath;

Gênero: Drama, Romance;

Editora: Biblioteca Azul;

Páginas: 280;

Ano: 2014;

Sinopse: Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica.



Olá, pessoas!



Hoje finalmente resolvi fazer a resenha de um livro que terminei há alguns meses, sempre acabava deixando-o para trás e ele sempre constava na minha lista de pendências em relação as resenhas.

Mas não foi por mal. Quando gosto muito de algum livro, eu tenho certa dificuldade para escrever sobre ele, e acredito que isso não aconteça só comigo. 

A Redoma de Vidro era um livro que há muito tempo queria ler. E descobri ele através da Tati Feltrin (Canal no Youtube), do Tiny Little Things (Blog da Tati). A Tati adora a Sylvia Plath, a autora, e mostrou em alguns vídeos, o exemplar que tinha de The Bell Jar e um livro de diários da Sylvia. 

O livro é de cunho autobiográfico e inspirado na vida da autora, Sylvia Plath. Publicado sob o pseudônimo de Victoria Lucas para preservar tanto a autora, quanto os personagens que ela coloca em sua história, enquanto Plath estava internada numa unidade psiquiátrica após uma tentativa de suicídio.

Comecei a ler esse livro com bastante expectativas e me vi empacada na leitura. O livro simplesmente não andava e deixei um pouco de lado. Dei outra chance, e logo peguei o ritmo do livro. Acredito que foi minha conexão com o livro que não me permitiu ir em frente na primeira tentativa de leitura.

Eu simplesmente amei a premissa. Uma garota que sai do subúrbio de Boston para uma prestigiada universidade de moças. De lá, acaba conseguindo um estágio em Nova York que todas as garotas naquela época sonharia em ter. Numa redação de uma conhecida revista, ela começa a editar uma coluna bem mixuruca. 

Esther estava animada e orgulhosa de chegar até ali, mas a medida que o tempo vai passando, e ela vai percebendo que ficar ao lado de sua editora – que sempre lhe reforça o quanto a mesma deve começar a aprender algumas línguas para se fixar ali ou em outras redações de revistas conceituadas – não é lá tão inspirador quanto imaginava.

Esther sempre foi muito esforçada. Desde cedo, chamara a atenção de todos pelo seu empenho nos estudos. A família não se importava muito, pois naquela época, as mulheres ainda não possuíam tanta autonomia e independência assim, para entrar numa universidade e seguir uma carreira no mercado de trabalho.

O livro foi ambientado em plena década de 1950, onde as mulheres comumente eram associadas ao lar, aos filhos e a cozinha. Numa época extremamente patriarcal, ver uma universidade para moças era algo novo e diferente.

E como nada no mercado de trabalho havia mudado com a chegada das mulheres neste ambiente, a desigualdade se acentuava cada vez mais. Salários ridiculamente discrepantes apontavam o valor da mulher naquela época no mercado de trabalho. Deveria haver alguma mudança referente a isso, e Sylvia Plath traz isso a tona. 

Esther foi uma das garotas que tiveram sorte e conseguiu ter sucesso ao conseguir um estágio numa revista. Mas não é isso que ela acha semanas depois. Ela começa a perder o interesse por tudo, e aos poucos vai se fechando para tudo a sua volta.

E sabe por que eu tenho tanta dificuldade para comentar deste livro? Porque foi uma das histórias mais fortes que já li em toda minha vida. Vemos Esther se fechar para o mundo e ficar depressiva.

E não é aquela coisa clichê como vemos hoje em dia em muitos livros de drama adolescente.
Sylvia Plath soube escrever isso muito bem, porque a depressão de Esther é algo tão sorrateiro, tão esperto, melindroso e invisível que aparentemente não enxergamos nada, nem percebemos.

Só nos damos conta quando Esther tenta se suicidar. E ela resolve isso tão fria e calculadamente que só este detalhe nos causa pavor. Pavor por saber que Esther represente boa parte de uma parcela de garotas que fazem a mesma coisa. Se veem num mundo onde não querem estar e descobrem sentimentos jamais percebidos por elas antes.

E depois da revelação nos causar pavor, nós sentimos uma vontade imensa de entrar no livro e ajudá-la de alguma forma. Porque ver o sofrimento de Esther é algo tão doloroso que nos toca na alma.

Esther se vê num sanatório após suas tentativas de suicídio, e lá ela nos conta seu dia a dia e o de suas colegas que também se tratam ali.
Ela descreve minuciosamente tudo o que passa entre elas, desde o relacionamento que cultiva com as outras pacientes até seus planos para tentar se suicidar novamente. 

Ela também nos conta a relação que tem com a mãe. E nós logo percebemos que a mãe de Esther não se importa tanto assim com a filha. Ela prefere fingir diante do sofrimento da filha, talvez por não suportar vê-la numa situação tão deplorável ou porque não quer que os outros vejam o que sua filha está passando. 

Mas a impressão que temos é de que ela prefere fingir, e monta uma fachada para suportar o sofrimento da filha. E nessa fachada, ela coloca a própria filha como autora de seu próprio sofrimento na Terra. E aí passamos a ficar irritados com ela. 

A narrativa é tão natural e ao mesmo tempo tão pesada, lúgubre e por vezes dolorosa. Sylvia Plath imprimiu com perfeição o estado depressivo de uma pessoa. As características agressivas de nossa protagonista só reforçam o quanto a depressão é latente neste livro.

Ela permeia as linhas desta narrativa e nos mostra um lado nunca antes visto. A Redoma de Vidro é fiel, impactante e difícil de engolir. Um livro para poucos. Porque só poucos conseguirão suportar uma narrativa tão profunda e digressiva quanto essa.

Livros difíceis não ganham esse adjetivo à toa, mas sim porque são histórias onde suas protagonistas facilmente seriam identificadas na vida real e esquecidas rapidamente. E é por possuir uma fachada tão auto imposta que não prestamos atenção nessas pessoas, e quando nos vemos com uma personagem como Esther, finalmente conseguimos visualizar seu perfil.

E por isso que não é fácil ver alguém como Esther, porque pessoas como ela, se escondem dentro de si. Escondem sua dor do mundo e simplesmente desaparecem. 

Livro muito triste, mas belíssimo para alertar ao mundo o poder que uma depressão pode exercer na vida de uma pessoa que sofre uma doença silenciosa como essa.

Li este livro em pdf, porque não estava conseguindo comprá-lo de jeito algum, e a pressa pra lê-lo foi maior. Ainda quero ler este livro com o exemplar físico para reavalia-lo, acredito que lê-lo online me prejudicou um pouco.



Cinco estrelas para a história e mais cinco para o exemplar da Biblioteca Azul, que ainda não possuo, mas sei o trabalho incrível que eles tem com suas edições.


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