Título: A Reunião - Um Passado esquecido, Um segredo assustador;

Autor(a): Simone Van Der Vlugt;

Gênero: Drama, Suspense, Romance;

Editora: Record;

Páginas: 336;

Ano: 2013;

Sinopse: Sabine é uma jovem que enfrenta problemas psicológicos. Recuperada de uma depressão, ela tenta voltar à vida normal, até um anúncio atingir o centro de sua reticente memória. O convite para uma reunião em sua antiga escola faz com que ela relembre o desaparecimento de Isabel, sua amiga de infância. O sumiço, assim como o motivo, ainda permanece um mistério. Agora, determinada a recuperar as lembranças e a desvendar o que aconteceu, Sabine deve se livrar dos redemoinhos de sua memória e se confrontar com uma lista de suspeitos que não para de crescer, e que envolve até mesmo as pessoas mais próximas. 





Olá, pessoas!

Hoje vim trazer mais uma resenha pra vocês. Meu ritmo de leitura está fluindo maravilhosamente e consequentemente, tenho terminado diversos livros. O ruim disso é que são tantos livros pra resenhar que faço uma seleção de todos eles e posto a crítica aqui.

A crítica que irei fazer hoje é sobre o livro A Reunião, da Simone Van Der Vlugt. Esse livro apareceu como um “intruso”, enquanto estava procurando pelo livro Reunião, terceiro livro da série Mediadora, da Meg Cabot. A capa bastante chamativa, ilustra perfeitamente o cenário sombrio e tortuoso pelo qual nossa protagonista passa. Aquele clichê do “julgamos pela capa” foi logo aplicado a este livro. Me interessei rapidamente e fui procurá-lo. Mas como vivo dizendo nas críticas, algumas editoras tem um preço exorbitante e aí isso só atrasa a aquisição de determinado livro. E com a Record não é diferente. Por isso que demorei tanto pra comprá-lo.

Sabine é uma jovem mulher que enfrenta diversos problemas psicológicos. Afastada do trabalho, ela faz terapia e tenta voltar à ativa novamente. Sua terapeuta ajuda-lhe bastante, mas como muitos médicos dessa área dizem, nossa força de vontade acaba influenciando nossa melhora ou piora.

Nossa protagonista volta a trabalhar, mas o ambiente onde trabalhava não é mais o mesmo. Sua amiga, Jeanine se demitiu. E ela só toma conhecimento disso quando chega lá. E além do mais, Renée foi intitulada chefe do setor que ela trabalha. Até aí tudo bem, mas logo Sabine toma ciência dos olhares atravessados que todos lhe enviam, inclusive da aparente implicância de Renée para com ela.

Todos parecem se queixar dela, e não levam a sério os problemas que nossa protagonista está passando. Ninguém dentro daquele setor parece acreditar em Sabine. Pensam que ela é uma preguiçosa, que só quer “mamar na teta” do Estado. 

E uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi exatamente isso. Esse preconceito e essa descrença geral de que as doenças psicológicas são “menores” ou fáceis de lidar quanto as físicas. Se você pensa assim, sinto-lhe informar que estás errado.
Nossa mente é um eterno e complicadíssimo cálculo matemático. Imagine ver-se diante de uma equação sem fundamento e sem resultado aparente? É mais ou menos assim que uma pessoa com problemas psicológicos enxerga sua mente. Não estou querendo diminuir as doenças físicas, longe disso. Apenas queria reforçar a ideia de que a Depressão e todos os distúrbios associados à estresse, dentre outros, deveriam ganhar mais respeito. Não é porque os sintomas não são aparentes que são mais fáceis. É até pior, porque sem sintomas, sem “machucados” visíveis, nós que estamos na plateia, não enxergamos o sofrimento da pessoa. E volta e meia vemos diversos casos de suicídio, onde até mesmo os parentes e os amigos próximos não estão a par do verdadeiro estado mental da pessoa enferma.

Achei que esse tema foi muito bem abordado pela autora, e me envolveu de tal forma que mexeu com minha base emocional. Mas bem, voltemos a falar de nossa Sabine. Ela gradativamente volta ao trabalho, e vemos o quanto Sabine luta pra instalar uma rotina ali. Porém, Renée está sempre no pé dela. Lhe enchendo de trabalhos, colocando-a em situações complicadas, e que envolvem toda sua paciência e concentração. De certa forma, nossa carrasca até “ajuda” Sabine a pegar a rotina normal. Claro que o modo e as maneiras como Renée a trata, só reforça o assédio. E isso nos enlouquece de uma maneira irritante. 

Num ambiente tão estressante e pouco hospitaleiro, Sabine encontra Olaf. Ela não o reconhece de cara, mas ele se apresenta como amigo de colegial de seu irmão, Robin. E aí ela acaba se recordando dele. Lembra-se da atração que ele aparentava sentir por ela mesmo naquela época, e percebe que o sentimento que ele nutria por ela parece ressurgir das cinzas do colegial.

E nessa brecha, nossa protagonista acaba se envolvendo com Olaf. E acaba embarcando numa tremenda furada. Porque nós vamos descobrindo ao decorrer dos capítulos que Olaf é extremamente possessivo. Sabine sofre constantes assédios, vê sua casa totalmente destruída e é agredida física e psicologicamente por ele.

E quando decide afastar-se completamente dele e ir em busca de respostas quanto ao seu passado, ela encontra a mãe de Olaf. E vê claramente que a personalidade obsessiva dele é um mal de família. Encontra também no caminho a sua cidade natal, uma das ex namoradas de Olaf. E ela só reforça o comportamento doentio que ele possui.

Outra coisa que achei digna de Oscar foi a construção e caracterização dos personagens. Há uma linha imaginária dentre eles que interliga até nossa protagonista, Sabine. E tudo acaba influenciando e “chegando” nela. A construção dos personagens secundários é tão bem feita, que chega a nos tocar. 

E logo passamos a nos conectar com a história, com Sabine. E daí sentimos junto com ela, asco por Renée. Medo, insegurança, receio por Olaf, Bart e Isabel.

Ah, Isabel. O que falar dessa personagem que é presença constante na mente de nossa protagonista, Sabine? Aparentemente, Isabel pode ser facilmente interpretada e vista como a popular e a maior piranha do colegial. Isso no tempo em que Sabine estudou com ela.

Nesse livro a constante mudança entre passado e presente vira algo rotineiro.
Porque como nossa protagonista vive seus dilemas e tenta melhorar, ela acaba encontrando no passado a chave para sua cura. E é do passado que vamos basicamente reconstruir. Isso mesmo. Nossa protagonista não lembra de quase nada do dia em diante que Isabel desapareceu. É um verdadeiro branco pra ela.

A partir daí, ela embarca numa verdadeira excursão ao seu passado. E revisita sua adolescência, seus antigos medos e traumas. Revisita a amizade que nutria por Isabel, bem antes desta desaparecer. Isabel e Sabine eram unha e carne no ensino fundamental, mas tudo isso muda drasticamente quando o ensino médio desponta. De melhor amiga e confidente, Isabel passa a ser a pior inimiga de Sabine. 

Ela e seu grupinho de amigos lhe perturba incessantemente. E rapidamente nos sentimos mal por Sabine, que parece fechar os olhos diante das malvadezas de Isabel e continua lhe ajudando em sigilo, quando a mesma sofre por ataques de epilepsia.

Começamos a tecer um ódio mortal por Isabel, que foi responsável pelos traumas existentes de nossa protagonista. Ela desapareceu, aparentemente sem rastros algum, mas ainda vive na mente de Sabine. Porque sua curiosidade em torno do sumiço de Isabel vai aumentando gradativamente até um ponto em que ela não pode mais ignorar.

De volta à cidade natal, Sabine reencontra seus demônios e vai recolocando as peças do quebra cabeça que é sua memória perdida.

Nossa protagonista luta mentalmente por lembranças, por memórias.
E esse conflito, mesmo sendo mental, acaba ganhando uma intensidade ainda maior. No meio dessa confusão, ela acaba reencontrando Bart. Seu antigo amor. Ele marcou a vida de Sabine, como sendo seu primeiro e grande amor. E por isso que quando o reencontra, o sentimento parece já está ali há muito tempo, só esperando que ambos se vissem novamente.

Tudo isso se passa em torno de uma reunião de escola onde os colegas de turma de Sabine se reencontram e se veem depois de tanto tempo. E é a partir dela, que nossa protagonista vai destrinchar sua mente em partes cada vez mais minuciosas a fim de descobrir o desaparecimento de Isabel.

Ela visita o antigo coordenador da escola, Sr. Groesbeek, que lhe ajudava na época em que Isabel lhe amedrontava. Nas lembranças dela, dá até pra perceber que o coordenador aparentemente abusava de Sabine, mas nada muito claro e evidente. O idoso já numa idade avançada, com a face marcada de cansaço e claramente caduco só nos faz suspeitar ainda mais de sua inocência. O Sr. Groesbeek coincidentemente intitulou suas gatas com os mesmos nomes das garotas desaparecidas pela região. Mórbido, não acha?

Pois mórbido será pouco quando diversos outros eventos acabam se sucedendo enquanto Sabine permanece ali. Porque sua volta à cidade natal só nos mostra que ainda há muitos segredos a serem descobertos.

Sabine leva suas “provas” e suspeitas ao antigo detetive que cuidava do caso de Isabel.
E é lá que ela vai descobrindo possíveis novos suspeitos. Mas o caminho para descobrir quem foi o culpado pelo desaparecimento de Isabel parece se perder de vista, e Sabine já estressada com a incessante procura acaba crendo que o possível culpado é Olaf. 



Ele é o culpado perfeito, e é ele que num acesso de raiva e frieza, que lhe mostra a duras penas quem é o verdadeiro culpado. Li o desfecho do livro no caminho pra faculdade e acredito que me chocaria mais se estivesse num lugar mais confortável e adequado pra isso. O final me chocou, mas deu pra digeri-lo suficientemente bem, porque foi aceitável e fiel ao enredo.

Dei cinco estrelas ao romance, e se pudesse daria mais. O gênero suspense vem me instigando ainda mais em 2015. 
Bem, por hoje é só.
Comentem aqui embaixo se conhecem o livro, e se não, se interessaram a partir dessa resenha. 
Beijos e até a próxima! ;)


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