Ficha Técnica

Título: Laranja Mecânica (A Clockwork Orange)

Autor(a): Anthony Burgess;

Gênero: Distopia, Clássico, Ação, Drama;

Editora: Aleph;

Páginas: 235;

Ano: 2012.

Sinopse: Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.



Olá, pessoas!



Hoje eu vim trazer mais uma resenha para vocês. Faz um pouquinho de tempo que terminei a leitura deste livro, mas a história ainda está fresca na cabeça para comentar um pouco com vocês aqui.

Eu sempre tive um interesse enorme em ler Laranja Mecânica, mas por algum motivo, me sentia bastante intimidada. E tinha medo de conseguir o livro e não gostar da história ou até mesmo não ser capaz de entender o enredo.

Acho que isso acontece com todo mundo, quando o livro é tão reconhecido assim. Acredito que já falei pra vocês o quanto me senti intimidada ao ler diversos outros clássicos da Literatura Mundial, entre eles está Fahrenheit 451 – que já fiz resenha, mas ainda postarei para vocês –, Admirável Mundo Novo – que já tem resenha aqui no blog -, Mrs. Dalloway, 1984 e muitos outros.

E fico ainda mais intimidada de não conseguir passar pra vocês todas as minhas impressões durante a leitura de determinados livros, e esse é um deles.

Quando vi um dos booktubers mostrar a edição de 50 anos de Laranja Mecânica, fiquei muito interessada. Não só pela edição em si, que é muito bem trabalhada e uma das mais lindas da minha estante, mas pela nova tradução que deram ao livro. Isso foi o que mais me chamou a atenção, porque um certo dia fui com algumas amigas procurar este livro no sebo e depois de muito procurar achamos uma edição bem antiga, com aquelas traduções bem ultrapassadas. E fiquei com medo de só ter essa opção para ler deste livro. Mas a Aleph, felizmente, trouxe uma nova tradução para nós, leitores. 

Então, eu acho que vocês já sabem que estava com muitas expectativas para este livro. E confesso pra vocês que no começo, eu tive bastante dificuldade pra pegar o ritmo da história. 

Tudo isso porque nosso humilde narrador, Alex, fala num dialeto nadsat, que é uma mistura de russo e inglês que os jovens daquela época falavam. Eu fui besta e não percebi que no fim do livro possuía um glossário com todos os significados de cada palavra em nadsat que o Alex falava. 

E por não me dar conta disso, eu acabei me prejudicando no começo da leitura. Acredito que se tivesse lido o livro com o glossário a todo instante, gostaria ainda mais desse livro. 

Mas mesmo assim, eu fui pegando o ritmo da história e acabei me conectando. Laranja Mecânica vai nos contar a história de Alex, um jovem como todos os outros. Ele vive com seus pais e não espera muito da vida. Ele só quer vadiar e curtir com seus amigos nas ruas da cidade.

Alex é o líder de um grupo de arruaceiros, que também são adolescentes. Todas as noites eles saem às ruas e orquestram verdadeiras confusões. Agridem os passantes, os mendigos, os velhos, quebram os patrimônios públicos e abusam de dezenas de mulheres.

Estamos na década de 1950 e um governo totalitário domina a Inglaterra. A população vive com medo da violência e do quanto a criminalidade tem aumentado em todo o país.

E um belo dia quando Alex e seus amigos saem pra praticar atos violentos à noite, eles são surpreendidos por policiais. Somente o Alex é preso e levado para uma penitenciária. Os outros acabam se safando e deixam o mesmo a mercê da polícia.

Nesse episódio, Alex entra na casa de uma senhora de idade e tenta mostrar aos seus amigos que merece o posto de líder no grupo. É tudo para marcar território e mostrá-los que ele é capaz. Ele agride a velhinha, mas a mesma não se deixa abater e liga para os policiais que logo chegam e o prendem em flagrante.

Os policiais já o conhecem e estavam esperando por aquele momento em que veriam Alex novamente. Nosso protagonista vive um verdadeiro inferno quando passa a viver seus dias na penitenciária. Mas isso não é nada se comparado ao que irá passar próximo dali.

Em um outro episódio de barbaridade, Alex e seus amigos entram na casa de um escritor e são recebidos por sua esposa que aflita e desconfiada nem os deixam entrar. Eles usam a força e invadem a casa, imobilizam o escritor que fala sobre o livro que está escrevendo – Laranja Mecânica – e abusam sua esposa diante de seus olhos. Abusam a mulher de tal forma que a mesma não resiste por muito tempo.

Alex aparentemente só fez aquilo, porque se irritou com a história que o escritor estava fazendo. No seu livro, o protagonista serve de laranja para o governo implantar um novo modo de erradicação da criminalidade em todo o país.

Ele não acredita que isso possa realmente acontecer. Ingênuo, acaba acreditando que algumas semanas num centro de terapia intensiva próximo da penitenciária o fará livre mais cedo. Ledo engano. 
Alex é usado como laranja num dos experimentos de um médico famoso naquela época. A terapia de choque consiste em colocar nosso protagonista para assistir diversos filmes violentos enquanto substâncias inibem e o fazem ficar enjoado.

À medida que essas substâncias vão fazendo efeito, Alex acaba se tornando outra pessoa. Nós sentimos pena do nosso humilde narrador – e olha que ele não é lá um dos melhores protagonistas que já vimos, mas acredito que seja por isso que gostamos tanto dele. Por ele ser ele mesmo, livre de pudores e cheio de vontades.

E o autor preza muito isso, o poder de escolha do personagem. O livre arbítrio dele vira pó nas mãos do governo e dos médicos que administram a terapia nele.

Essas substâncias basicamente fazem com que ele se sinta muito mal quando tem algum pensamento maldoso ou violento em relação a qualquer coisa. E isso lhe prende. Mas o poder dessas substâncias não vai até aí.

Uma das coisas que Alex mais gostava era ouvir músicas clássicas. Ele constantemente ia em lojas de discos comprar vinis de compositores famosos como Beethoven, Mozart dentre muitos outros. E esse gosto é totalmente tragado por essas substâncias.

Ele não gosta mais de nada. Tudo lhe repele. Tudo é repulsivo. Seu livre arbítrio é destruído pelas mãos do governo. Sua mente está presa ao Estado.

E o autor gosta de enfatizar essa questão. Se eu pudesse resumir esse livro em uma única frase, eu diria: “O livre arbítrio e o poder de escolha são dois grandes direitos que nos são atribuídos, e ninguém pode tirá-los de nós.”

Quando o Estado toma nosso livre arbítrio e tira nosso poder de escolha, eles tiram praticamente a essência do Homem. Porque sem o nosso livre arbítrio não somos nada. Somos somente massa de manobra de um governo autoritário que quer a todo custo nos engolir suas verdades e fazê-las tornar dogmas universais.

E a moral dessa história é que independente de qualquer terapia que tivessem administrado no Alex, ele futuramente, se daria conta de que tudo aquilo que ele fazia era errado e imaturo, e sairia dessa vida. Ele próprio, munido de escolha e livre arbítrio, escolheria ser uma pessoa melhor, que respeita as leis, as pessoas, o mundo em que vive.

Laranja Mecânica nos serve de alerta para o mundo em que vivemos. Como qualquer outra distopia, este livro nos faz enxergar além e abrir os olhos para o mundo que vivemos. Porque sabemos que o Estado nos prende de diversas formas. Nós não somos livres, nunca fomos e nunca seremos.

E este livro só vai nos contar uma realidade assustadora que nos faz questionar o mundo em que vivemos. Será que nosso mundo um dia eliminará nosso livre arbítrio e nos tornará mecânicos? Será que o Estado tomará nosso poder de escolha sem que nem percebamos?

Porque foi isso que percebi, não só em Laranja Mecânica, mas em Fahrenheit 451, Admirável Mundo e 1984.
O Estado manipula de uma forma tão invisível, que nos cega sem nem percebermos. Nós sempre questionamos e subestimamos o poder que o Estado tem sobre nós. E quando subestimamos o Estado, ele põe as rédeas em nossas mentes.

Em todas as distopias o que eu vi foi exatamente isso. A população nunca acredita que o Estado vá tomar suas vontades, fazê-los se tornar massa de manobra, sem nenhum livre arbítrio. Porque aparentemente isso seria muito radical, isso seria desumano.

Mas o Estado é desumano, o Estado passa na frente de tudo e de todos que lhe questionarem. O Estado quer você ignorante, e por isso lhe tira os livros, em Fahrenheit 451, o Estado lhe quer totalmente condicionado como em Admirável Mundo Novo, o Estado quer lhe supervisionar em todos os lugares, em todos os momentos, a todo instante como em 1984. O Estado sempre vai querer nos aprisionar de alguma forma. E seu tipo de prisão sempre será silenciosa e invisível.

Dei cinco estrelas para este livro, porque sinceramente ele é merecedor de todo o reconhecimento e sucesso que possui. E dei mais cinco estrelas para a edição espetacular da Aleph. Não serei a primeira, nem a última a elogiar o trabalho maravilhoso que essa editora deu para este livro incrível.

Livro incrível, edição incrível. Tudo incrível! Sem contar que quando a história acaba, temos alguns contos do autor, e tem uma parte que é dedicada exclusivamente para a Condição Mecânica. Além de conter inúmeras ilustrações fantásticas no decorrer da leitura.



É espetacular! Todos os jovens, adultos, idosos deveriam ler este livro. Com certeza, Laranja Mecânica é um daqueles títulos essenciais para se ler. Porque ele nos tira da ignorância e nos faz ver o mundo como ele é.


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